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Nós Lemos: Preacher – Até o Fim do Mundo
Por Bernardo Cury — Quarta, 17 de janeiro de 2007
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Alimentando o seu lado sádico 
Verdade seja dita: as pessoas são cruéis! As pessoas são cruéis e não se sabe o limite de crueldade que alguém pode fazer. Quer dizer... isso era antes de se ler Preacher – Até o Fim do Mundo, pois o roteirista Garth Ennis mostra esse limite e até, algumas vezes, passa desse dele.
Em Preacher – Até o Fim do Mundo, segundo encadernado da série, o reverendo Jesse Custer e sua ex-namorada Tulip continuam atrás de Deus, porém antes encontram sua "querida" avó. E depois disso, os dois ajudam o seu amigo vampiro pinguço, Cassidy, a se vingar dos fornecedores de drogas que fizeram sua namorada morrer de overdose, mas eles não sabem que agentes de um tal de Graal querem o reverendo a qualquer custo. E no meio de tudo isso, muita violência, humor negro, palavrões, sexo feito de formas mais bizarras, e (quem diria?) um pouco de romance.
A grande polêmica sobre religião fica um pouco de lado nesses dois arcos que compilam este volume de Preacher, Tudo em Família e Caçadores, respectivamente. Só um pouco do bom e velho fanatismo de alguns fiéis. Entretanto, Ennis se concentrou em mostrar as maiores monstruosidades sexuais em tão poucas páginas. De incesto, zoofilia, pedofilia, até ao maior bacanal da história.
Garth Ennis nunca foi tão grosseiro e doentio em nenhuma outra HQ. São cenas e situações que deixa até o nerd mais macho ofendido ou de estômago embrulhado. E você percebe, que no fundo, tudo isso é uma enorme e ousada crítica a nossa sociedade atual. Não preciso nem dizer que por isso mesmo este é o seu melhor trabalho, né?
A mesma coisa é dita ao desenhista Steve Dillon. Nem agora quando ele cuida da arte de um dos mais populares heróis da Marvel, Wolverine, ele é tão detalhista nas expressões faciais, e (é lógico) nas cenas de violência.
A edição da Devir possui alguns erros. Como a falta de um resumo do que aconteceu anteriormente no primeiro encadernado, e a falta de uma revisão nos textos, pois os diálogos estão cheios de erros bobos de digitação. Nada que estrague a obra, mas é bom que isso não se repita nos próximos volumes.
Preacher – Até o Fim do Mundo ainda tem uma introdução do genial Kevin Smith.
Sendo assim, as esquisitices de Preacher te divertem como você se diverte vendo Jackass, Vale-Tudo, Vídeo-Cassetadas, e qualquer outra bobagem que alimenta seu lado sádico, porém diferente de tudo isso, Preacher possui conteúdo e tem algo a acrescentar em nossas vidas.
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