O (não tão) pequeno espião

No início da década, o filme
Pequenos Espiões, de
Robert Rodriguez, fez um certo sucesso ao colocar uma dupla de crianças como agentes (ainda que involuntários e movidos pelas circunstâncias) da espionagem internacional. O sucesso foi tanto que motivou duas continuações que, se não repetiram o sucesso do primeiro filme, também não comprometeram - muito pelo contrário.
Adaptado de um livro de sucesso de
Anthony Horowitz (também autor do roteiro),
Alex Rider Contra o Tempo tenta, intencionalmente ou não, repetir a façanha de
Pequenos Espiões, substituindo as crianças por um adolescente, o Alex Rider do título - interpretado pelo estreante
Alex Pettyfer. Adolescentes não têm mais, em tese, a pureza e inocência das crianças, mas, como estão ainda no início da vida, sempre há uma certa surpresa se conseguem ocupar um espaço de destaque - como o de ser uma celebridade da espionagem internacional, por exemplo. Pois Alex Rider é exatamente isso: um adolescente comum que se revela, também, um candidato a mestre da espionagem que tem em mãos a oportunidade de salvar o mundo e vingar o assassinato do tio que o criou. Parece lugar comum nos folhetim das obras do gênero? Sim, parece e é - mas isso não torna
Alex Rider Contra o Tempo um filme ruim.

Embora não se situe entre as grandes realizações do gênero, e nem mesmo entre as mais marcantes (e há uma grande, colossal diferença entre uma coisa e outra),
Alex Rider Contra o Tempo é um filme revestido de simpatia e boas intenções, e não encontra dificuldades em oferecer ao espectador aquilo que se propõe: um entretenimento escapista, tão fugaz quanto um passeio num parque de diversões temático.
Pettyfer revela-se um bom ator e, estando bem secundado por um elenco de coadjuvantes que inclui, entre outros,
Ewan McGregor (como seu tio, Ian Rider),
Bill Nighy,
Sophie Okonedo,
Stephen Fry e
Mickey Rourke, não demonstra dificuldades para cativar o espectador. A narrativa, amalucada como a das velhas séries cômicas de espionagem dos anos 60, remete em vários momentos, pela criação do esconderijo do vilão e pelos personagens que lá se situam, ao
Superman de
Richard Donner e ao refúgio de Lex Luthor no filme de 1978. Essa semelhança, ao invés de soar repetitiva ou artificial, acaba por reforçar a simpatia ao redor do filme, despertando, no imaginário do público, a sensação de estar vendo uma junção de Alex Rider com personagens e ambientes relacionados ao Homem de Aço - com novo herói, novo vilão e nova namorada deste -, como se os Pequenos Espiões estivessem enfrentando Luthor ou algo assim.
Apesar disso, não se pode dizer que o filme seja perfeito em todos os aspectos: faltou um pouco mais de firmeza cênica ao diretor
Geoffrey Sax para investir no aspecto nostálgico e de releitura oferecido pelo filme e impedir que uma sensação de excessiva simplicidade comprometesse a obra. Dirigido com pulso fraco,
Alex Rider Contra o Tempo acaba por demonstrar ser um filme que promete muito mais do que cumpre, e que sugere uma certa inibição do diretor em arriscar algo maior. Apesar disso, o ritmo lépido, o jeitão meio maluco da realização e as frequentes e engraçadas tiradas cômicas - que injetam humor e vitalidade à narrativa - convertem o filme em um entretenimento agradável, embora, enquanto passa o tempo, o espectador fique, também, com a impressão que, nas mãos de outro diretor,
Alex Rider Contra o Tempo poderia ter sido bem melhor do que é.