Um museu levado da breca

Uma comédia passada no Museu de História Natural de Nova York faz o público cinéfilo lembrar imediatamente de um clássico cinematográfico:
Levada da Breca, de
Howard Hawks, forte candidato a melhor comédia de todos os tempos e um momento verdadeiramente antológico da História do Cinema.
Guardadas as elementares devidas proporções, é inegável que
Uma Noite no Museu tem os seus encantos e revela-se um filme extremamente feliz em sua missão de despertar gargalhadas no espectador. Aliás, o filme é, provavelmente, o mais engraçado dos últimos anos. No conjunto final, é uma obra razoável, mas faltou pouco, muito pouco, para que pudesse ser definido como um filme realmente bom.
O que prejudicou a realização e a tornou repleta, também, de deficiências, é o fato de que, quando acaba uma piada ou uma das muitas situações engraçadas que permeiam a narrativa, o filme simplesmente some.
Uma Noite no Museu conta a estória de Larry Daley (
Ben Stiller, em eficiente desempenho), um pai de família que, estando desempregado e em crise familiar, consegue emprego como vigia noturno no Museu de História Natural.

Só que Daley não sabe que, à noite, todas as peças expostas no museu - de esqueletos de tiranossauro a animais selvagens, passando por representações em cera de personalidades que variam do heróico
Theodore Roosevelt ao terrível
Átila, o Huno - simplesmente ganham vida. Aí, então, é salve-se quem puder.
Todas as cenas em que Larry se envolve em confusões com as criaturas e demais personagens são engraçadíssimas. Contudo, o grande problema de
Uma Noite no Museu é exatamente o fato de não possuir força para segurar o espectador durante uma cena de confusão e outra: a sensação que se tem é de estar se divertindo em uma montanha-russa e, de repente, esta parar no farol por alguns minutos antes de retormar o seu trajeto.
As cenas dos conflitos familiares envolvendo Daley, sua ex-mulher e seu filho, por exemplo, são completamente desinteressantes - e, mal desenvolvidas, como também o é o envolvimento afetivo deste com Rebecca (
Carla Gugino), a guia turístico do museu.
À primeira vista, tal pano-de-fundo pode, realmente, parecer descartável. Mas não é - só se percebe nitidamente isso quando se observa que um filme tão engraçado como
Uma Noite no Museu escorregou exatamente nesse setor.
Apesar desse deslize, não se pode negar os muitos méritos da realização - um deles, o excelente nível dos efeitos especiais, quesito fundamental para um filme que se propõe a contar a estória que conta, e que surgem na tela com uma naturalidade e credibilidade que fazem com que mereçam ser definidos como brilhantes. Mais até que o Larry Daley de
Ben Stiller, são os efeitos especiais os verdadeiros protagonistas do filme. E, por sua condição de protagonista, por ter uma estória virtualmente girando a seu redor, os efeitos especiais fazem com que
Uma Noite no Museu seja, sem dúvida, um filme com muito mais qualidades que defeitos.