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Nós Fomos: Show do Arnaldo Antunes
Por Gabriel Gurman — Segunda, 8 de janeiro de 2007
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Casa arrumada sem cozinha 
Arnaldo Antunes, o primeiro ex-titã (e cada vez mais longe desse rótulo) é um dos principais nomes da música popular brasileira. O cara que já mandou os bichos escrotos irem se fuder hoje em dia navega por águas mais tranqüilas. Seja ao lado do timoneiro Paulinho da Viola ou de seus amigos Tribalistas Marisa Monte e Carlinhos Brown. Após uma concorrida primeira temporada, o cantor voltou a se apresentar em São Paulo, no SESC Vila Mariana, com a turnê Qualquer.
Seguindo o ritmo tranqüilo que embala seu último álbum, que dá nome à turnê, o lado mais performer de Arnaldo Antunes é (quase) deixado de lado. Se não fossem por suas acrobacias, a discreta montagem do palco (apenas um telão com imagens em preto e branco) e uma simples banda de acompanhamento, com dois violonistas e um tecladistas, seria difícil pensar que o autor de “O Silêncio” era aquele mesmo homem. A voz grave do cantor combinada com a leveza dos arranjos parecem delicadas canções de ninar. Não que isso seja ruim, pelo contrário. Arnaldo achou uma combinação perfeita para sua voz. Se antes seu talento vocal era “escondido” no peso de suas canções (muitas vezes com gritos), em Qualquer, a sensibilidade prevalece. Versões de músicas como “Judiaria” (de Lupicínio Rodrigues) e “Bandeira Branca” (de Laércio Alves) ficam mais lentas e impressionantemente mais sensíveis.
O show, que teve ingressos esgotados nos três dias, é composto majoritariamente por canções do álbum lançado no ano passado. Diferente das apresentações que ocorreram em outubro no Auditório Ibirapuera, o guitarrista Edgar Scandurra (do Ira!) não participou. Sua ausência, apesar de sentida em algumas canções como “Sem Você” e “2 perdidos” não diminui a qualidade do espetáculo. Como a maioria das músicas do novo álbum não eram muito conhecidas pela maior parte do público, os momentos mais animados do show foram nos clássicos dos Titãs ( “Não vou me Adaptar” e “O Pulso” ) e nas músicas mais antigas de sua carreira solo ( “O Silêncio”, “Socorro” ).
A discrição de Marcelo Jeneci, Betão Aguiar e Chico Salem, os acompanhantes de Antunes, vale ser destacada. Todos jovens instrumentistas fizeram magistralmente seus papéis. Inclusive, foi para Salem que o cantor dedicou a canção “Acabou Chorare” dos Novos Baianos. Aliás, essa foi apenas uma das covers apresentadas pelo Tribalista. As releituras de Exagerado, de Cazuza, e Qualquer Coisa, de Caetano Veloso, ganharam uma sensibilidade diferenciada na voz de Arnaldo.
A MPB nunca esteve tão presente em Arnaldo Antunes e vice-versa. É o popular ao lado da poesia concretista, é Lupcínio Rodrigues ao lado de Cazuza. Enfim é Arnaldo Antunes “livre para navegar” .
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