Um passo a mais na linha das comédias românticas

Comédias românticas são um gênero dos mais tradicionais do cinema, mas que, nos últimos anos, têm enfrentado dificuldade para falarem com o espectador: o que se tem observado, na verdade, é uma certa inibição de seus realizadores em investirem no romantismo, não raramente sobrecarregando (desnecessariamente) a graça - levando-a a resvalar para a caricatura - e comprometendo a parte romântica de seus filmes.
Felizmente, o diretor
Tony Goldwyn revela-se um cineasta que está muito longe de se permitir tais inibições, e, investindo sabiamente no romantismo, sem sobrecarregar o humor, faz de
Um Beijo a Mais uma das melhores comédias românticas dos
últimos anos. Adaptado do filme
O Último Beijo, do italiano
Gabriele Muccino,
Um Beijo a Mais também traz muitas semelhanças com os filmes que
Woody Allen realizava nos anos 70 e 80: um humor neurótico, oriundo das trapalhadas afetivas do ser humano e das dificuldades de relacionamento entre os casais.
No filme,
Zach Braff, cada vez melhor, interpreta Michael, um homem prestes a se casar mas que, lamentavelmente, acaba por trair a futura esposa com uma adolescente que o assedia insuportavelmente.
O beijo a mais de Michael na adolescente destrói seu futuro conjugal, e o filme narra as desventuras do apaixonado Michael para reconquistar o amor da mulher que ama.
Tony Goldwyn dirige sua narrativa vigorosamente, e revela um olhar bastante arguto para observar - e apresentar na tela - o comportamento e as motivações dos casais contemporâneos. Um detalhe interessante - e fundamental para o êxito da realização - é a boa presença da trilha sonora no resultado final: Braff, que além de ator exerce (em outros filmes) as funções de roteirista e diretor, auxiliou na seleção musical e foi extremamente feliz na elaboração desta, permitindo que
Um Beijo a Mais fosse mais um filme a falar não apenas com suas imagens e diálogos, mas também com as músicas que habilmente embalam o cotidiano dos personagens e as imagens apresentadas. No excelente elenco, o destaque vai para
Casey Affleck, que interpreta Chris, o amigo decente e digno do infiel Michael, e para
Tom Wilkinson e
Blythe Danner - ela, mãe de
Gwyneth Paltrow - que aqui interpretam os candidatos a futuros sogros do protagonista.