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Fotógrafo favorito de Mastroianni ganha mostra em SP
Por Carlos Dunham — Segunda, 11 de dezembro de 2006
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Hoje, quando se pensa em paparazzi, a primeira imagem que nos vem à cabeça são de pessoas arrivistas que, armadas com uma máquina fotográfica, invadem desrespeitosamente a privacidade dos artistas que amamos - e também de seus amigos e familiares, inclusive de crianças - para, não raramente, expô-los a situações vexatórias e constrangedoras, vendendo a preços elevadíssimos fotografias obtidas sem autorização. Recentemente, o filme Paparazzi foi bem eficaz ao enfocar o dia-a-dia dos picaretas que exercem esse tipo de atividade.
Contudo, nem todos os paparazzi são assim - pelo menos o primeiro paparazzo não era: Tazio Secchiaroli era um profissional digno de todos os elogios e reverências - e, ao longo de sua carreira, as recebeu de nomes como Federico Fellini, Marcello Mastroianni, Sophia Loren e outros gigantes cinematográficos desse porte. Pouca gente sabe, inclusive, que a expressão paparazzo foi criada pelo próprio Federico Fellini para homenagear Secchiaroli. E os 30 anos de carreira do fotógrafo italiano ganham uma belíssima homenagem em solo brasileiro, através da exposição Tazio Secchiaroli - O Cinema no Olhar, em cartaz na Galeria da Caixa, em São Paulo.
A mostra apresenta um panorama com alguns dos melhores trabalhos de Secchiaroli e funciona como um registro dos anos de ouro do cinema italiano - as décadas de 50 e 60, auge da carreira do homenageado e também de cineastas como Fellini, Antonioni e outros gênios cuja atividade o trabalho do fotógrafo registrou ao longo do tempo.
A mostra, que até então era inédita no Brasil, apresenta uma seleção de 60 fotografias originais do fotógrafo italiano, pertencentes ao Archivio Tazio Secchiaroli, dirigido por David Secchiaroli, filho do homenageado. São fotografias que relembram a trajetória do paparazzo desde o início de sua carreira, nos anos 50, tendo como palco a famosa Via Veneto em Roma, aos bastidores da Cinecittá, onde Secchiaroli trabalhou ao lado de astros e estrelas da fase áurea do cinema italiano.
Como revela o texto de apresentação que pode ser lido na entrada do espaço, Secchiaroli era um promissor talento da fotografia quando foi procurado por Fellini para obter informações a respeito de Roma e do trabalho dos fotógrafos na capital italiana. O genial
diretor buscava material para o filme que planejava fazer - nada menos que A Doce Vida. Teve, assim, uma amizade que durou até o fim da vida do cineasta, desencarnado em 1993 (Tazio faleceria cinco anos depois, em 1998). Muitas das estórias do fotógrafo inspiraram o roteiro de A Doce Vida, e várias fotografias dessa fase estão presentes na exposição. As fotos que registram os encontros de Tazio Secchiarolli com Fellini e Mastroianni, por sinal, ocupam merecido destaque na exposição e perfazem cerca de 20 anos da História Cinematográfica.
Para se dar uma idéia da importância de Secchiarolli na pré-produção de A Doce Vida, basta lembrar que foram através de suas estórias que surgiram cenas clássicas do filme, como o falso milagre, o strip-tease e o famoso banho de Anita Ekberg na
Fontana de Trevi. E foi através do filme que a romana Via Veneto tornou-se uma avenida tão mitológica. A respeito da palavra paparazzo, atribuida por Fellini a Secchiaroli, foi também nessa época que a expressão foi cunhada pelo fenomenal diretor.
A partir da colaboração em A Doce Vida, Secchiaroli tornou-se fotógrafo dos sets de filmagem da Cinecittá e profissional favorito e de confiança dos astros e estrelas do Cinema. Com Fellini, aprendeu também os segredos e os efeitos da luz, passando a ter o cuidado de usar, em suas fotografias, o mesmo filme utilizado pelos diretores - assim, as fotos teriam o mesmo estilo do filme.
Na exposição, além de várias fotos de bastidores e sets de filmagem de filmes de Fellini, também podem ser vistas fotografias de outros diretores registrados pelas lentes de Secchiarolli: nomes como Charlie Chaplin, Vittorio De Sica, Michelangelo
Antonioni, além do autor teatral Tennessee Williams. E, entre os atores, nos sets ou fora deles, estão na exposição imagens de Gregory Peck, Bette Davis, Ava Gardner, Tony Curtis, Peter Sellers, Ursula
Andress, Claudia Cardinale, Brigitte Bardot, Vanessa Redgrave, além de uma sessão especial dedicada a Sophia Loren, registrada durante as filmagens de obras como Os Girassóis da Rússia, Um Dia Muito Especial,
A Mulher do Padre e Arabesque, entre outros exemplos.
A exposição Tazio Secchiarolli - O Cinema no Olhar ficará em cartaz até o dia 11 de fevereiro de 2007, em São Paulo, na Caixa Cultural, situada na Galeria da Paulista (Av. Paulista, 2083). O horário de visitação é de segunda a sábado, das 10h às 21h, e
aos domingos, de 12h às 21h. A entrada é franca. Ainda não há previsão do encaminhamento da mostra para outros estados.
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