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A difícil arte de colecionar quadrinhos
Por Eudes Honorato — Sexta, 2 de janeiro de 2004
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Eu tenho um amigo que possui 20.000 revistas em quadrinhos. A grande maioria é de super-heróis e alguns poucos são mangás. Casado e com dois filhos pequenos, ele ainda coleciona e consegue manter sua coleção impecável. Eu o admiro. Eu sou um péssimo exemplo de colecionador. 
Mesmo lendo e gostando de quadrinhos, para colecionar eu sou um desastre. O máximo que consegui juntar certa vez foram 500 revistas, na minha pré-adolescência e adolescência. Uma coleção que ia de Os Trapalhões a Cavaleiro das Trevas. Ou seja, eu comprava de tudo. Claro que essa coleção não foi mantida.
Para aqueles que estão se iniciando na arte de colecionar quadrinhos ou para aqueles que querem manter suas coleções, aqui vão algumas dicas do que NÃO fazer, dadas por alguém que entende do assunto de fazer o errado:
Nunca, mas nunca mesmo deixe uma bicicleta (ou outro objeto menos importante que suas HQs) se interpor entre você e suas 500 revistas: você acabará vendendo-as por um preço irrisório, para que o montante torne possível que você compre o anelado objeto de seu desejo.
Nunca entre em religiões extremistas: você ficará sem poder ler quadrinhos por muito tempo. Por exemplo, 7 anos. Se a religião ensina que quadrinhos são coisa do diabo, “provando” isso ao citar o fato de existir uma revista chamada DareDEVIL, é melhor você considerar se tornar ateu ou seguidor de alguma seita que idolatre o mago dos quadrinhos Alan Moore.
Nunca tente comprar tudo, principalmente nos dias de hoje: temos títulos a dar com pau nas bancas e comic shops. Compre aquilo que você REALMENTE gosta e/ou pode comprar. Claro que se você for um comprador compulsivo, que Deus tenha pena de sua alma e do seu bolso. Afinal, você pode acabar vendendo sua coleção de DVDs para fazer com que sua coleção de quadrinhos cresça, comprando, por exemplo, 100 Balas e acaba ficando sem filmes (eu escrevi este artigo só para inserir este trocadilho. Vendo agora, acho que não ficou tão bom. Estou brincando).
Não comece coleções de revistas de editoras que tem o péssimo hábito de cancelar suas revistas no terceiro número: se você virar um fã da revista e não tiver dinheiro para continuar comprando os números importados, é melhor você passar longe de HQs promissoras de editoras furonas. Mas aí alguém diz “Mas aí eu procuro na internet e leio”. Porém, estamos falando aqui de colecionar, ter a revista guardada para futuras gerações, que só tocarão nela depois que você morrer. Sentir o cheiro do papel, sentir uma pontada no coração quando seu sobrinho de 4 anos descobre onde você as guarda e pega o número 1 de Heróis da TV e põe na boca. Mas, desculpem, estou divagando...
Não compre todas os relançamentos e encadernados, como estou fazendo: o orçamento para a coleção de quadrinhos fica comprometido e você acaba não tendo uma coleção muito diversificada. Sua estante ficará com alguns especiais, como os encadernados de Homem-Animal, Demolidor de Frank Miller, Arma X, Ronin e a fabulosa graphic novel Sandman - Noites Sem Fim, de Neil Gaiman, entre outros. Claro que isso não se aplica se você tem grana suficiente e vontade de comprar desde Thundercats até Supremo, de Alan Moore. Você tem mais é que comprar e colecionar.
Colecionar quadrinhos é uma arte que não pode ser perdida por todo aquele que ama boas histórias e grandes personagens. Para os olhos dos leigos, pode ser apenas um amontoado de revistas; para o colecionador, são bens preciosos. Um dia, eu tomo jeito e deixo de apenas comprar, para realmente colecionar.
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Em tempo, comprei o livro do incrível Alex Ross, em que é mostrado muito sobre a sua arte para a DC Comics, muitos esboços, desenhos de infância e uma história curta e inédita de Batman e Superman chamada The Trust, exclusiva para o livro. O nome dele é Mythology, e esse eu pretendo guardar para sempre. Você pode encontrar ou encomendar em comic shops e livrarias que vendem livros importados.

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