O jogo dos 7 acertos

O 21º filme da franquia do espião que atua a serviço da rainha teve uma seqüencia de acertos que não se via a algum tempo nos filmes de James Bond. O diretor
Martin Campbell que já tinha no currículo
007 - Contra Golden Eye, faz um ótimo serviço em trazer ao publico
Daniel Craig como o novo agente da MI-6 com licença para matar.
Para começar, um dos fatores que mais deve ter agradado aos fãs foi a volta de um 007 que conta com a inteligência e o físico para completar as missões e depende menos dos "brinquedinhos" criados pelo famoso Q. Aqui não tem nada de carro invisível e nem óculos de raio-x e sim lutas corpo a corpo, astúcia, manipulações e muita correria.
Mais do que nunca, o poker está em alta. Prova disso foi o campeonato mundial de poker, que esse ano teve mais de 8.500 participantes competindo pelo maior prêmio em dinheiro já oferecido em um esporte. A bagatela de 12 milhões de dólares. Por tanto, mesmo
Cassino Royale sendo uma refilmagem o assunto é mais do que parte da atualidade mundial.
Os fãs mais novos provavelmente nem sabem que nos filmes antigos do 007 o carro do James Bond não era a BMW e sim o Aston Martin e em Cassino Royale agente vê o espião

britânico mais famoso do mundo dirigindo não somente o modelo 2006 como o modelo antigo feito no final dos anos 60.
A Bond Girl da vez não é nenhuma atriz famosinha como as ultimas (
Denise Richards e
Teri Hatcher), mas a francesa
Eva Green que interpreta Vesper Lynd e consegue transmitir todo um ar sexy, carismático e, ao mesmo tempo, duvidoso. Além de tudo, Vesper Lynd é um forte elemento para entendermos como foi moldado o caráter e personalidade de James Bond já que o filme é uma espécie de prólogo.
E, como estamos assistindo a origem do 007, o diretor faz questão de mostrar situações em que Bond comete erros, cai em armadilhas e, até mesmo, é enganado. Essa humanização do personagem não é muito mostrada nos outros filmes porque supostamente ele já é mais velho e tem mais experiência. Neste filme o ditado "A gente cresce com os próprios erros" é colocado em pratica de maneira sutil e muito inteligente.
Aqui temos vilões no plural e não somente uma mente brilhante do crime que quer conquistar o mundo. Mesmo que os vilões não durem o filme todo, todos eles receberam sua marca registrada. Para começar temos o terrorista Mollaka que faz o bandido mais ágil que Jackie Chan e é responsável pela cena de perseguição mais legal do filme.
Depois é a vez de Dimitrios que, para o azar dele, possui duas coisas que um bom James Bond que se preze não pode ficar sem. Carrão e mulherão. Depois desse pobre rapaz é a vez do vilão principal Le Chiffre (
Mads Mikkelsen) que faz um verdadeiro vilão "sangue nos zoio" e dono da tortura mais original e mais dolorida que um homem pode sofrer. E é claro tem o
vilão surpresa que é aquele que aparece quando você acha que o filme esta acabando e tudo vai acabar bem.
E o acerto final fica por conta do próprio 007. Quando o ator inglês Daniel Craig foi anunciado como o novo James Bond muita gente fez cara feia antes mesmo de qualquer prévia. Tá certo que ainda não encontraram ninguém que agradasse ao publico tanto quanto
Sean Connery mas, mesmo assim, Daniel Craig mostra que é capaz de vestir o smoking de 007 sem passar vergonha e melhor ainda, dessa vez o 007 não vai precisar fingir sotaque britânico.