Strange Days

Por Márcia Lima — Segunda, 20 de novembro de 2006

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Quatro dicas para curtir no findie. Canandenses, ingleses, norte-americanos, esquisitos, bacanas, psicodélicos, futuristas, antigões, enérgicos, contemplativos, todos tiveram discos lançados em 2006. Ouve aí e depois conta o que achou.


Se você quer experimentalismo: Malajube


Powerpop experimental? Psicodelia alienígena? Rock surrealista? Malajube é uma banda canadense relativamente nova, que canta em francês. Os caras estão juntos desde 2004 quando lançaram Le Compte Complet, disco que caiu nas graças da mídia canadense, mas não teve repercussão no resto do mundo. Em fevereiro deste ano, seu segundo álbum Trompe-l\'il, ainda mais esquisito que o primeiro, foi escolhido Melhor Disco Alternativo, no Felix Award, premiação musical que acontece em Quebec.



A proposta do Malajube não é trazer nada essencialmente novo mas um híbrido divertido. Pense em um guitar pop teatral que reune energia à Flaming Lips, falsetes amalucados, teclados futuristas, em meio a explosões de melodias coloridas. E furiosas. É mais ou menos o que você vai achar neste disco, que foi lançado pela obscura Dare to Care. Há ainda todo um conceito de arte na capa e nos videoclipes que merece ser comentado. Trompe-l\'œil é disco para ouvir em non-stop durante aquele happening promovido pelos amigos marcianos.

Mas, se ainda assim você quiser um Top5, sugiro: File Plumes, Montréal -40°C, Pâte Filo, Fille à Plume e Ton Plat Favori.


Se você quer roquinho: Tokyo Police Club


Oê, oê, oê. Os caras do Tokyo Police Club são mais sexies que você. Por quê? Ora, além da boca do vocalista (que eu nem vou comentar, afinal a maioria dos leitores é do sexo masculino) eles já estamparam as páginas da revista Playboy (na seção reviews, crianças) que não mediu elogios ao quarteto. E não somente esta revista. Em 2006, eles foram uma das bandas mais comentadas na blogosfera indie. O currículo dos rapazinhos? Um ano de banda, sete canções lançadas no EP A Lesson In Crime, pela gravadora Paperbag e uma série de shows no Canadá e Estados Unidos.

Cheer It On faz, em 1:59, o que muitas canções não fazem em 10 minutos. Prender a atenção e deixar na expectativa por mais. Tudo começa com uma bateria insana e um vocalista -tão insano quanto- berrando através de um megafone: Operator, get me the President of the world. This is an emergency!! Emergência é a palavra. O som dos caras é urgente. Você nem percebe que a primeira canção chegou ao fim e lá vem eles com a matadora Nature of Experiment, vocal cheio de graça (sim, que em muito lembrará os Strokes), e o baixo cheio de groove ao longo de 2 minutos e 2 segundos.



Mas, espere, engana-se quem pensa que a diversão vai diminuir. Citizens of Tomorrow, a terceira, não é uma canção deste planeta, nem desta época. Sintetizador misterioso, 45 segundos de palmas über-cool, e um backingvocal que avisa: no we can\'t. Começa aí uma viagem de ficção científica em um futuro não muito distante. Dave Monks canta sobre o mundo em ruínas, deixado pelos ancestrais. Agora -em 2009- nossos robôs-mestres vão saber como arrumar a bagunça e construir um mundo melhor. Para os garotos e garotas que são escravos e constroem espaçonaves. Humanos, nós perdemos a guerra.

Mas o disco ainda está na metade. Shoulders and Arms é a canção mais descaradamente strokeana. If it Works é nervosinha, tem parada estratégica e volta cheia de folêgo. Be Good e La Ferrasie são simpáticas, cada uma a sua maneira.

Os caras contam que a banda começou por acidente. Eles já haviam tocado em uma outra banda que não deu certo. Sete meses depois da separação bateu a saudade e se reencontraram. Fizeram alguns shows durante o verão, com a decisão de voltar às vidinhas normais (faculdade, trabalho, namoradas..) no inverno. O outono chegou e com ele o convite para um show no festival Pop Montreal. No site oficial, eles contam que, a partir daí, os quatro concordaram que era hora de partir o coração das mamães e perseguir um dos mais evasivos sonhos: a carreira no mundo da música.

E não é que deu certo?



Se você quer uma banda nova favorita: The Rifles


E daí que existem centenas de bandas na cola de Jam, Clash e Beatles? Vez ou outra surge uma que reúne as tais referências e consegue ser -se não original -, ao menos muito divertida. É o caso deste quarteto londrino. Os caras decidiram que teriam uma banda durante o histórico show do Oasis em Knebworth. Foi um momento que mudou minha vida. diz o guitarrista. O som dos Rifles é pra deixar indie kids animados em qualquer pista do mundo. Pós-art-punk, os carinhas lançaram o disco de estréia No Love Lost, em julho. A produção foi de Ian Broudie, conhecido por seus trabalhos com Zutons, Coral e Subways. O vocalista Joel Stoker, não apenas canta como Paul Weller, como também parece o vocalista do Jam, quando novo.



Rock britsh, sotaque cockney, empolgação e refrões grudentos. Não será o álbum da década, nem do ano. O que não significa que não mereça uma chance. No Love Lost é para quem gosta de Mando Diao, Libertines, Milburn e toda esta cambada que não cansa de ser boa.

Cinco para começar? She\'s Got Standards, One Night Stand,Peace & Quiet, Local Boy e Repeated Offender. Estas duas últimas chegaram, merecidamente, ao Top 40.



Se você quer reunir gnomos, fadas e outros elementais: Joana Newsom


Este aqui é complicado. Ou amor ou ódio. Não dá para ficar indiferente. Joana faz parte do movimento freak folk (ou free-folk, ou ainda neo-folk). Aquele mesmo de Devendra Banhart, Cocorosie, Iron&Wine, entre outros. Se você não conhece a turminha, não espere nada convencional. Violoncelos, violinos, banjos e sítaras convivem com experimentalismos de todo o tipo, tudo no mais perfeito lo-fi. As canções são sobre a natureza, o mar, as flores, os animaizinhos e a floresta. Se você é vegetariano filiado ao PETA, esta é sua música.

E é neste climão flower-power que surge YS, o segundo disco da californiana Joanna Newsom. São cinquenta e quatro minutos distribuídos em cinco canções. Se durante os primeiros minutos de Emily você não sentir vontade de atirar o CD pela janela, então pode seguir feliz, que o disco será um presente e tanto. YS, assim como o disco de estréia The Milky-Eyed Mender, é voz, harpa e, lá ao fundo, orquestrações.



Ouvir o disco antes de dormir causa alucinações. Você vai achar que Joanna é uma fadinha, ou coisa do tipo. E vai ver campos floridos, algum sol risonho, crianças encantadas, cachoeiras, arco-íris e todo o tipo de coisas que não se vê por aí todo dia. Produzido por Jim O\'Rourke com arranjos de Van Dyke Parks e Steve Albini como engenheiro de som, este não poderia ser um disco ruim. E o melhor de tudo? Nem preciso fazer um Top5.

Grande concorrente na briga pelo melhor disco de 2006.




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Informática > Impressora Laser ML1610 Trade-In Samsung
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