Hallå! *
Se você gostou de
Jens Lekman, digite 1.
Se você é fã de
Belle & Sebastian, digite 2.
Se você não gostou de Jens Lekman, ligue para 911.
Se você gosta da voz do Jens Lekman, mas prefere uma cozinha mais animada, e batidinhas eletrônicas, continue na linha que nossas atendentes entrarão em contato com você.
Ainda está na linha? Então pense rápido. Quantas crianças suburbanas com nomes bíblicos você conhece?
Eu conheço duas.
Johan Hedberg e
Peter Gunnarsson.
Crianças bem crescidas, é verdade. Que em 2003 formaram o
Suburban Kids With Biblical Names.
Para ter uma idéia do tipo de som dos garotos, pense que Jens Lekman é um vaso de flores,
Pavement é a terra,
Hot Chip é o adubo.
Suburban Kids With Biblical Names (SKWB a partir de agora) é a florzinha que nasceu ali. Bom, né?

A dupla é de Estocolmo, Suécia (sempre a Suécia...). No comecinho de 2004, os caras lançaram duas canções na web. O trabalho agradou um jornalista da revista
The Sonic que logo entrevistou o SKWBN e usou as canções em uma coletânea da publicação. O CD chegou à mesa dos homens da Labrador (selo über-indie escandinavo) que não resistiram ao indie pop e assinaram com a banda. Ainda em 2004, eles lançaram o primeiro EP.
De acordo com o release oficial, o nome da banda não é apenas uma homenagem ao
Magnetic Fields. Eles realmente tem nomes bíblicos e realmente foram crianças no subúrbio Haninge, na capital do país. Se o nome é, no mínimo, criativo, o mesmo não se pode dizer do nome dos discos. O primeiro EP, chama-se
#1. O segundo EP, er, chama-se
#2. Adivinha o nome do disco de estréia (lançado em 2005). Este mesmo:
#3.
Em uma das raríssimas entrevistas, Johan contou que um possível nome para a banda seria Johnny Flash and The Radical Rockers. Quando questionado sobre as canções que teve orgulho de escrever, respondeu
Guns N' Ammo e
Teenage Poetry. O blogueiro-repórter perguntou ainda se havia algo que Johan odiasse em seus fãs.
"Não conheço nenhum fã pessoalmente, então não posso odiá-los".
- Que
Weezer, que nada
O hino indie-nerd de todos os tempos chama-se
Loop Duplicate My Heart e está no disco de estréia do SKWBN. Johan canta sobre ficar em casa sozinho. Fazendo música em seu computador. E sobre sentir-se tão bem com todas estas tecnologias, sem perturbar os vizinhos, graças aos fones de ouvidos. Eu, como nerd assumida, já escolhi esta como minha favorita.
Parakit é sobre a volta ao lugar onde o vocalista nasceu e tem espaço para o trocadilho:
"and the tags are still there / meat is murder and pavement / i used to wonder when i went for a walk / if they meant pavement the band / or if it was just coincidence" (e as etiquetas ainda estão por lá: 'carne é crime' e 'pavement' (calçada) eu costumava caminhar por lá e pensar se pavement queria dizer a banda ou se era só coincidência)"...
Funeral Face é a música sueca mais caribenha de que se tem notícia. E, por isto mesmo, a mais divertida. Ou uma das mais. Porque, desde que conheci a banda e pensei em escrever sobre ela, estou tentando eleger um Top 5 mas está complicado. Quando penso: é esta! Logo vem a próxima e consegue ser ainda melhor. Então não vou ficar fazendo faixa-a-faixa, ok? Acredite, o melhor que você faz é ouvir o disco do início ao fim. Depois de ouvir
Rent a Wreck e as citadas anteriormente, você vai entender.
Climão upbeat, amores platônicos felizes, letras divertidas e a fotografia de um subúrbio indie. Só podia ser na Suécia, mesmo...
Web 2.0
Você pode ser o feliz proprietário de um computador desde a década de 90, saber o dia do aniversário de
Steve Jobs e usar uma camiseta com o logo do Firefox. Mas pode não estar atualizado com o conceito de Web 2.0 simplesmente porque ele ainda é muito novo. Basicamente, a vida para nós -geeks de plantão- está sendo completamente transferida da área de trabalho e do explorer para a internet.
Lembra quando tudo se resumia a esperar até meia-noite, finais de semana e feriados para baixar algum arquivo a 52kb/s(!!)? Até parece que faz muito tempo. Reflexo desta nova geração onde 1 ano equivale a 100. Acha que é força de expressão? Em 2003, a Universidade da Califórnia concluiu que a
informação produzida pela mídia em 2002 equivalia a tudo o que fora produzido da pré-história até 2001. Armazenado em cinco hexabytes (!!). Cinco hexabytes equivalem, aproximadamente, ao conteúdo de 500 mil bibliotecas do Congresso dos Estados Unidos, cada uma delas com 19 milhões de livros e 56 milhões de manuscritos.
Paradoxo dos paradoxos, isso é tão bom que chega a ser angustiante. O problema já não é falta de acesso ao conhecimento. O problema é não ter tempo. Onde você conhecia bandas novas até 1980 e poucos? No Lado B, da MTV? Nas críticas da
Bizz? Na rádio? Implorando para o parente enviar umas revistas do exterior? E quem não tinha parente no exterior? Ou morava longe dos grandes centros? Será que existia cena alternativa em Macapá? Talvez houvesse. Mas, para a grande maioria, o problema era a escassez de informação cultural. Pode uma coisa dessas?
Infelizmente, o problema persiste em grande parte no país. Preste atenção nestes números. A
2ª Pesquisa Sobre Uso da Tecnologia da Informação e da Comunicação no Brasil, realizada em agosto, concluiu que mais da metade dos brasileiros nunca navegou na internet. Apenas 14,5 % das residências brasileiras tem acesso à rede. Desta fatia, 28,64% usa internet banda larga. Por outro lado, quase cem por cento da população tem pelo menos uma tevê em casa. E somos 186 milhões de pessoas (estimativa do IBGE, 2006).
Enquanto discutimos se é crime assistir TV pela internet, ou compartilhamos informações sobre o seriado que foi ao ar na quarta-feira (nos Estados Unidos) a grande maioria da população está adquirindo "cultura" através da Globo, do SBT ou da revista
Caras. Enquanto estamos ouvindo aquela rádio inglesa tri boa, a maioria ouve músicas-tema da novela. Mau gosto? Também. Mas, principalemnte, falta de escolha. O assunto rende. De trabalhos de conclusão a documentários.
Mas, a idéia aqui é falar da Web 2.0

Desinstalei meu Microsoft Office, semana passada. Não por falta de uso, uma vez que passo o dia trabalhando com textos. Isto porque adotei editores de texto e planilhas eletrônicas on-line. Graças ao Writely.com nunca mais vou usar pen-drives ou CDs, além de liberar espaço na máquina. Isto é Web 2.0. Levar para o meio virtual o que estava nos discos rígidos. Organizar a vida no ambiente on-line de forma muito mais dinâmica, com a colaboração de sites e um sem-número de ferramentas.
Ainda no exemplo anterior, pense em quantas vezes você estava digitando, salvando automaticamente, quando - catástrofe - algo fazia o micro desligar. Seguindo a Lei de Murphy, quanto mais importante fosse o documento, menor seria sua 'auto-recuperação'. Nunca mais. O editor on-line salva automaticamente a cada minuto. Em março, o Google comprou o Writely e nasceu o
Google Docs & Spreadsheets, planilha e texto funcionando em conjunto com Gmail, Orkut, etc.
Sites de serviços interligados como
NetVibes, Google Desktop ou Windows Live são o carro chefe da tal da web 2.0. Agregam e-mail, agendas, de.li.cious, writely, disco virtual, flickr, bloco de notas, calendário, mapas, notícias personalizadas e mais uma porção de utilidades. E várias inutilidades, como flores virtuais e joguinhos). Mas a função é sempre a mesma: economizar nosso precioso tempo.
Sem falar no Firefox 2.0 e suas extensões: media player acoplado, barra de procura por torrents, preview de paginas ver o que está naquela página em que você ainda nem clicou-, tradutor espanhol-inglês, corretor ortográfico, enfim, nem o cinto de utilidades do Batman consegue competir.
E o sentimento de coletividade, as redes p2p, os grupos de voluntários que traduzem seriados e entregam para quem quiser, sem cobrar nada por isto? E as tags - aquelas etiquetas do Last FM, De.li.ci.ous, Digg - que apresentam bandas e entretenimento em geral, em categorias? Áudio, vídeo, imagem, tudo on-line. O disco rígido agradece.
Toda esta vida paralela e você ainda está do lado de fora do monitor? Por quê? Se todos estão reunidos na Villa Brasil, do
Second Life?
10 motivos para não perder nenhum episódio de Heroes
(e depois desta, prometo dar um tempo no assunto)
1. É a completa tradução de Web 2.0
O site oficial é uma diversão a parte. Blog do criador da série, quadrinhos on-line, MySpace dos personagens e fóruns de discussão ao redor do globo mostram a dimensão exata do interesse pelos heróis...
2.Frases
Já se tornaram clássicas:
"You Tube is free, idiot".
"Save the Cheerleader. Save The World". "My name is Peter Petrelli. I've got a message for you". Mono, Reverbcity e lojas do tipo, por favor, façam camisetas da série!
3.Acredite
O último hype surgido em blogs foi a bomba
Snakes on a Plane. Precisávamos de algo para provar que o hype ainda merece crédito.
4. Hiro
Você já leu o blog do Hiro? Lá ele conta sobre seus dias como herói recém nascido. Sabia que ele ama comer waffles, tem 24 anos e sua cantora preferida é a Britney Spears? (Nem os super-heróis são perfeitos....)
Masi Oka, o ator e programador (que já desenvolveu mais de 20 programas e 100pluggins), é tão fofo quanto seu personagem. Confira nesta entrevista:
5. O alter-ego da Niki
No episódio que vai ao ar em 27 de novembro teremos pistas quentíssimas sobre seus poderes e personalidades. É alter-ego? Existe, realmente, algum poder?
Saberemos...
6. Referências aos quadrinhos
Eu não consigo achar quase nenhuma, mas os fãs de HQs se divertem encontrando várias.
7. Nissan Versa
O patrocinador está em todas: no site, no gibi, nos episódios.... lindo, é sonho de consumo de 9 entre 10 fãs.
8. Spoilers, vídeos promocionais e teorias
Inúmeras, infundadas ou não, são elas que mantém as conversas animadas entre uma segunda-feira e outra. A revista
Entertainment Weekly deu capa ao seriado, além de fazer uma super matéria e conversar com o diretor sobre as possíveis teorias. Confira
aqui.
9. Salvou a temporada
Lost já não é mais o mesmo. Depois do caso Mr. Eko, a situação ficou ainda pior. Agora o seriado dá uma pausa e volta a ser exibido só no ano que vem. Haja paciência. Felizmente, temos
Heroes.
10. Peter Petrelli
Ah, você sabia que ele estaria nesta lista. Peter é um perigo para quem tem diabetes. Irmãozinho querido, enfermeiro atencioso, um doce de menino. Oww, que fofo.
*Quer saber se você é um herói? Responda o
quizz.
*
PS: A coluna passa a ser publicada (oficialmente) aos sábados.
PS 2: Hallå! significa 'alô!' em sueco
;)