
A Pixel é uma editora que está investindo cada vez mais no acabamento gráfico e em preços mais baixos para conquistar um espaço maior no mercado de quadrinhos. Apesar de jovem, o editor
Odair Braz é quem cuida das publicações da editora. Mesmo com uma agenda lotada de compromissos, Odair recebeu a equipe do
SoBReCarGa e revelou algumas novidades no mercado editorial.
SoBReCarGa - Como foi criada a Futuro Comunicação?
Odair Braz - A Futuro comunicação foi criada em setembro do ano passado (2005). Ela foi criada à partir da divisão entre o André Forastieri e o Rogério de Campos que eram os donos da Conrad. Eles resolveram terminar a sociedade deles; o Rogério continuou com a Conrad e o André criou a Futuro Comunicação. Então a futuro ficou com todas as revistas de games, sites, Smack! (meninas adolescentes) e PC Magazine. Parte de quadrinhos e games ficou com a Conrad.
Foi nesse tempo que vocês criaram a Pixel?
A Pixel foi criada em janeiro 2006. Ela é uma parceria entre a Futuro Comunicação e a Ediouro. A Ediouro já vinha conversando com a gente desde o ano passado. Aí, a Ediouro estava procurando publicar quadrinhos e entrou em contato com o André, que é dono da Futuro para uma parceria. E dessa idéia surgiu o selo Pixel, que é um selo de quadrinhos, que é tanto da Ediouro como da Futuro.
Qual seria o tipo de público da Pixel?
É um público mais adulto. O nosso principal foco nesse momento são as livrarias, e por isso que procuramos fazer quadrinhos de criadores mais conhecidos do público, que lia quadrinhos desde os anos oitenta. Então trouxemos quadrinhos com autores já conhecidos desse público que gosta de quadrinhos. É um público mais qualificado entre Classe A e Classe B. Apesar disso, os nossos preços - se for comparar com a concorrência - é relativamente mais baixo. A média de preço dos nossos álbuns é de 33,00 reais. Com um acabamento bom, papel bom e algumas obras que considero muito boas também.
E os quadrinhos do Spawn? Significa que vocês estão tentando se popularizar?

Nós também gostamos muito de super-heróis e outros personagens mais
pops. Pra gente foi muito bacana publicar o Spawn, porque é um título mensal de quadrinhos em banca; e que a gente pode testar várias coisas com ele. O Spawn tem um outro tipo de tratamento com os fãs. As vendas são contínuas há muito tempo, e a Editora Abril largou o Spawn não era porque ele estava dando prejuízo, mas não fazia mais sentido eles terem o título como Spawn. Eles (Abril) não têm mais nenhum título de super-herói, e a atuação deles nos quadrinhos é basicamente com Disney. Então quando a Pixel pegou a revista do Spawn, a gente queria oferecer uma nova dinâmica para ela. Com matérias internas, curiosidades e novidades sobre o mundo Spawn. A Abril abandonou o personagem no número 150 e exatamente depois desse número mudaram toda a equipe criativa da revista nos Estados Unidos. O novo roteirista começou a melhorar o universo do Spawn. Ele pegou as 149 edições passadas, e foi descobrindo pontos soltos no roteiro. Agora o roterista está procurando amarrar todos os pontos soltos, e ao mesmo tempo criando uma história nova. É de longe uma das melhores fases do Spawn.
Como andam as vendas do Spawn?
As vendas estão relativamente boas. Estamos percebendo que as vendas estão subindo aos pouquinhos. No ano que vem pretendemos trazer mais material do Spawn. A gente acredita que vai ajudar a popularizar ainda mais o personagem. Além disso, vamos publicar as primeiras histórias encardenadas para quem não conhece o Spawn. Pretendemos publicar pelo menos os três primeiros anos do Spawn.
É verdade que vocês conseguiram assinar um contrato com a DC Comics?
A negociação existe, mas é só isso que eu posso falar por enquanto.
Quais são os quadrinhos da Pixel que mais estão vendendo?

Como os álbuns ficam bastante tempo à venda, nós não temos números exatos. Temos álbuns que vão para as bancas e outros para as livrarias. O Corto Maltese vendeu bem. Crimes Macabros vendeu muito bem. Madman vendeu muito bem nas gibiterias. Mas, eu acho que só a partir de janeiro nós vamos identificar os álbuns que venderam melhor.
Por que vocês escolheram o Corto Maltese para fazer a estréia da Pixel?
O Corto Maltese já veio com a Ediouro, e foi escolhido porque é um material super clássico. Embora pouca gente tenha lido, muita gente conhece o Corto Maltese. É um personagem muito conhecido e pouco lido no Brasil. Tenho certeza que tem publico. E é um clássico dos quadrinhos que estava à disposição no mercado. Ainda bem que foi a Ediouro que passou para Pixel.
O Spawn tem um preço mais popular para o grande público. Vocês pretendem publicar mais quadrinhos populares?
Fomos para San Diego nesse ano e tivemos contatos com várias editoras. Temos alguns possíveis personagens para testar no mesmo formato do Spawn, mas ainda não tem nada fechado. Nós vamos fazer alguns testes, mas o nosso forte são os álbuns.
O que você acha de algumas editoras americanas estarem disponibilizando os seus quadrinhos na internet?
Acho que a internet pode ser usada de várias formas para promover quadrinhos. Você pode disponibilizar as três primeiras páginas de um determinado quadrinho. Acho legal disponibilizar quadrinhos que você não acha em lugar nenhum. De repente, o leitor irá ler uns quadrinhos do Homem-Aranha dos anos sessenta; e depois ele pode consumir os quadrinhos atuais do personagem.
A revista Herói ainda está sendo publicada?
Nós publicamos um número esse ano para ver como seriam as vendas. Mas, nesse ano foi impossível continuar com a revista porque tinha muitos outros projetos na frente.
Como os leitores podem se comunicar com a Pixel?
Procuro tratar os leitores muito bem. Respondo os e-mail pessoalmente. Se me perguntam no Orkut – eu repondo também. Inclusive tem uma comunidade no Orkut da Pixel. Quem quiser tirar duvidas ou marcar uma visita na editora pode marcar. Se você trata bem o leitor - ele vai virar o seu cliente para o resto da vida. É por isso que repondo os e-mails pessoalmente.
No site (pixelquadrinhos.com.br) vocês têm uma parte para receber material de novos talentos. Vocês ainda estão recebendo material?
Sim. Quem quiser enviar uma cópia do material basta enviar para:
Odair Braz Junior
Pixel Media
Rua Heitor Penteado, 813
CEP 05437-000
Sumarezinho
São Paulo - SP
Obrigado pela entrevista.
Eu é que agradeço. ¤