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Nós Lemos: Ultra – Sete Dias
Por Bernardo Cury — Segunda, 9 de outubro de 2006
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Tenta ser Sex and The City, mas é As Avassaladoras 
Em uma prateleira de banca de jornal ou livraria, Ultra – Sete Dias chama a atenção! A capa imitando um pôster de cinema, com um belíssimo colorido digital, e os créditos dos quadrinistas The Luna Brothers como diretores do “filme”, deixa a impressão que se lerá algo diferente.
Ainda mais porque está sendo muito elogiada pelos críticos, principalmente no texto introdutório de Odair Braz Junior que enche a bola dos irmãos Luna.
Porém tudo que se espera de Ultra – Sete Dias, não é encontrado. Sendo considerado por muitos como o Sex and The City dos quadrinhos por mostrar de forma diferente o mundo da mulher, na verdade não passa de mais uma HQ desnecessária que só serve para mostrar mulheres vestidas de super-heroínas fazendo coisas de duplo sentido, que nem o péssimo Aves de Rapina.
A história fala Pearl Penalosa, ou Ultra, uma super-heroína workaholic que não consegue arrumar um namorado há muito tempo. Por isso, suas duas melhores amigas, Afrodite e Vaqueira, levam-na a uma vidente que diz que ela arrumará o amor de sua vida em menos de sete dias.
Apesar do tema ser “super-heróis” não espere nessa edição algum combate mortal para salvar a Terra ou coisa parecida. Só mostra três amigas conversando. Algo que não teria problema nenhum, se não fosse o fato “do ponto alto da HQ” ser um mero diálogo fútil, sem nexo, e principalmente... falso! Realmente, homens não sabem sobre o que as mulheres conversam, pelo menos Joshua Luna, o roteirista, provou que não sabe.
O melhor momento, tirando as péssimas piadinhas sobre sexo, é o encontro de Ultra com a provável paixão de sua vida. Ali Joshua foge um pouco dos clichês e dos pré-conceitos de seus diálogos.
Os desenhos de Jonathan Luna também não ajudam. A bela arte da capa deste encadernado não é repetida no interior. No lugar vemos rostos irregulares, personagens endurecidos, má narrativa, e uma colorização muito artificial.
A melhor parte de Ultra – Sete Dias são os extras. As capas imitando famosas revistas norte-americanas como Time, Maxim, Wired, e Rolling Stone, as “propagandas” no interior da revista, e as entrevistas com as protagonistas no final de cada edição são bem sacadas e divertidas. Mas quando os extras são melhores que o prato principal, isso significa que tem alguma coisa errada.
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