(Nada de música hoje)
Esqueça Prison Break. A morte de Marissa Cooper. O ocupado Jack Bauer. Os problemas existenciais do SuperBoy e as dificuldades de ser uma milionária anoréxica inimiga de Paris Hilton. O que interessa a você, indie antenado, é o novo Arctic Monkeys da televisão americana. Só para situar: o hype se chama Heroes. E tem tudo para ser o Lost do canal NBC.
Um parênteses: o grande lance indie é que apesar de todos buscarem desesperadamente a diferença, unem-se justamente por isso. Descobrem alguns muitos gostos-clichê em comum. Leia-se quadrinhos, música, seriados, cinema sueco e outras peculiaridades que só quem é indie sabe. E você é. Você sabe.
Então, a cultura do download fez a vida tão mais fácil...
Mesmo que, por acaso, você não tenha TV a cabo estão ali o São iTunes, o Santo Soulseek e todos os outros. Você não tem que esperar a boa vontade dos canais pagos nem a maravilhosa dublagem dos canais abertos. E desta vez a Internet foi ainda mais rápida do que se imaginava. O primeiro episódio de Heroes (In His Own Image) será exibido na gringa na próxima segunda-feira, 25 de setembro, mas até lá centenas de milhares de criaturinhas nerds (onde me incluo sem resignação) já terão assistido. Graças a um DVD promocional distribuído a jornalistas, em julho, que acabou caindo na rede.
A coisa começou a tomar sua forma de hype na Comic Com 2006, maior feira de quadrinhos que acontece anualmente em San Diego, California (lá onde Seth Cohen costumava passar suas férias). Foi nesta feira que o episódio piloto foi exibido pela primeira vez e contou ainda com uma conferência com os atores que falaram por um bom tempo com jornalistas e público. Este piloto durava 72 minutos, mas o que está rolando pela Internet é o oficial. Tem 60 minutos e será veiculado pela NBC em seu horário mais nobre.
O mote da série é o seguinte: pessoas normais que se descobrem com super-poderes. Mais ou menos como um
X-Men classe executiva. A criação da série é de
Tim Kring (do seriado
Crossing Jordan). Um dos produtores executivos do programa é ninguém menos que
Jeph Loeb. Ele mesmo, ex-produtor de
Lost e um dos roteiristas da DC Comics (
Superman - As Quatro Estações é um de seus trabalhos). Imagine você que ele abandonou a produção de
Lost apenas para se dedicar ainda mais aos heróis aqui. E não são poucos. Vamos conhecer os carinhas:
Nathan Petrelli (Adrian Pasdar): Um político egoísta que deseja construir uma imagem de rapaz família mas que para conseguir se eleger acaba deixando a mesma em segundo plano. E se vê surpreso com uma certa capacidade até então pouco explorada.
Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy): Indiano filho de um geneticista e pesquisador que foi considerado maluco por muitos e acaba de morrer. Após o acontecido, Mohinder viaja para Nova Iorque para prosseguir com as pesquisas sobre novos passos na evolução humana. Para isto, vira taxista.
Peter Petrelli (Milo Ventimiglia): O irmão nerd de Nathan. Bonzinho, altruísta, enfermeiro. De acordo com sua mãe (aparentemente uma viúva que se torna cleptomaníaca) ele idolatra o irmão mais velho. E tem sonhos reveladores.
Niki Sanders (Ali Larter): Dançarina loira de Las Vegas que esconde um alter ego (muito) perigoso no espelho. Em qualquer espelho. Além de sustentar a si mesma, precisa cuidar do filho
Micah (Noah Gray-Cabey), um menino superdotado. A sinopse diz que Micah é o irmão de Niki. No programa piloto o guri chama Niki de mãe. (Noah é o impagável mini-gênio de
My Wyfe and Kids. Seriado que no Brasil leva o nome de
Eu, a Patroa e as Crianças. Ele é Franklin. Lembrou?)
Issac Mendez (Santiago Cabrera) é um artista junkie, em reabilitação, perturbado pelas visões que tem e que vão parar em suas telas. Namora
Simone Deveaux (Tawny Cypress), moça que ainda não mostrou a que veio.
Hiro Nakamura (Masi Oka):
"Super-Hiro" é o trocadilho usado por um amigo deste japinha viciado em HQs e
Jornada nas Estrelas. Faz referência à viagem no tempo que Kitty Pride fez na edição 143 de
X-Men. Quer ser especial -e porque não? - um super herói. Descobre o poder de se teletransportar e de manipular o tempo quebrando o espaço continuum. Tem tudo para ser o preferido de quem é fã de quadrinhos.
Claire Bennet (Hayden Panettiere): Animadora de torcida de um colégio no Texas. Tem algo similar ao Fator de Cura do Logan. Aconteça o que acontecer -inclua aí quedas, trituradores e incêndios-, a guria volta a ser loira e indie. (Explico: No
MySpace promocional do personagem tem as seguintes bandas:
Clap Your Hands Say Yeah, Franz Ferdinand e
Killers. Mas alo-ou. Desde quando animadora de torcida tem este gosto musical? Talvez porque ela é super, neam?) Seu companheiro de indieadas é o deslocado Zach. Ele é anti-social e não tem um gosto musical muito bom (apesar de contar com
Mogwai, Pink Floyd e
Pixies em seu perfil no
MySpace). Já é meu preferido na série porque um de seus filmes favoritos é -ai, ai-
Donnie Darko. Nem precisa ter super poderes.
Estes são os heróis que aparecem no primeiro episódio. Ainda tem muito mais pela frente: Sabe-se que um presidiário (
Leonard Roberts) vai acordar misteriosamente ao lado de fora de sua cela e que um policial (
Greg Grunberg) consegue ouvir o pensamento das pessoas, inclusive de um serial killer capturado.
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Heroes não está sendo chamado de “O novo
Lost” por acaso. Farão parte da série: teorias (principalmente apocalípticas) e conexões entre os personagens. O colega de Hiro, por exemplo, é freqüentador do site de Niki. Micah lê a mesma revista que Hiro, o pai de Claire parece ser o vilão da história de Mohinder, Peter entra no táxi de Mohinder e tem uma conversa cheia de significações...
Em agosto, esta foi a série mais procurada na internet (responsável por 26% das buscas sobre produtos televisivos dos EUA). No Orkut, três comunidades somam mais de 1.700 fãs. Um blog brasileiro está sendo mantido desde julho. E um fotolog.
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Fontes que participaram da feira de quadrinhos confirmaram a venda de uma HQ em edição limitada sobre a série, criada pelo artista
Tim Sale (também de
Superman: As Quatro Estações).
Se por acaso você não faz parte da cultura do download, caiu aqui por engano e tem vontade de assistir mas não quer baixar nada, não se preocupe. No Brasil, tevê aberta e a cabo já compraram os direitos. Em janeiro será exibido no Universal Channel. E em algum tempo, não se sabe quando, a Record veiculará.
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Uma das melhores surpresas (para não dizer que não falei de música) é a trilha que surge em um dos grandes momentos do piloto. Não vou dizer o nome da música para não estragar a surpresa. Mas vou dizer que é do
Bright Eyes - que é para ter uma motivação ainda maior. E vou dizer que esta música fecha um dos álbuns mais importantes da banda.
Se você não agüenta esperar para ouvir Bright Eyes, cuida só: lembra de quando a Marissa atirou no Trey para salvar o Ryan? (Último episódio, segunda temporada, hum?) Lembra da música?
Hide And Seek, da lindoca
Imogen Heap. O que tem a ver? É a canção do comercial
oficial de
Heroes, que está sendo veiculado na NBC.

Alguns assíduos dos fóruns de discussão americano estão dizendo que a canção do Bright Eyes pode ser substituída por uma do
Rogue Wave. Adoro Rogue Wave, mas seria o cúmulo trocar a canção. Sem contar que o
Conor Oberst é tão parecido com o Milo Ventimiglia...
Apenas em um momento a série se prede completamente: durante uma festa no Japão temos um Backstreet Boys como música de fundo. Pode?
Assita, ok?
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Na semana passada eu estava doente e até esqueci de comentar. O site
1001 Gatos entrevistou a colunista que vos escreve. Tudo bem que eles foram bonzinhos demais ao referir minha pessoa como "musa indie" e melhor crítica musical do Brasil. Mas fiquei feliz pacas com a gentileza e quis dividir com os leitores ;)