Quando o cinema encontra a moda...

Há algum tempo, o mundo da moda marca presença em importantes produções do cinema. Em
Bonequinha de Luxo, o figurino da personagem interpretada por
Audrey Hepburn, assinado por
Hubert de Givenchy, levou a alta-costura para as telonas de forma célebre.
Mais do que isso, a moda que se vê no cinema, por meio dos figurinos, é o elemento responsável por marcar as características individuais de cada personagem em uma história. O charme, a elegância e o glamour da personagem que eternizou Hepburn são um exemplo disso.
Porém, o que acontece quando o cinema é que invade os bastidores do mundo da moda? Em
O Diabo veste Prada, baseado em livro de mesmo título escrito por
Lauren Weisberger, a moda não apenas é um elemento usado para contar a história, mas é também o elemento central dessa história.
Para contá-la, a trama dirigida por
David Frankel, apresenta a indústria da moda a partir da visão de um leigo, para quem não importaria muito saber a diferença entre
Dolce & Gabanna,
Gucci ou
Chanel. Essa perspectiva torna o filme bastante acessível

ao espectador que mergulhará, quase sem perceber, nas profundezas desse mundo aparentemente tão distante dos simples mortais.
A recém-formada Andrea Sachs, personagem de
Anne Hathway, se porta exatamente como uma estranha no ninho quando começa a trabalhar na
Runway, a mais influente publicação sobre moda de Nova Iorque. Andy, até então, se mostrava alheia ao universo dos saltos altos, das combinações minuciosas entre peças e acessórios e do glamour sem limites.
Porém, trabalhando diretamente com a durona Miranda Priestly (
Meryl Streep), uma autoridade no mundo da alta-costura, Andy se vê diante de cobranças e de necessidades que jamais teve. Com o tempo, a jornalista começa entender a importância da moda como elemento da personalidade e de expressão da beleza feminina.
A partir daí, a visão dela muda radicalmente e é quando começa a valorizar aquilo que antes via como banal. Essa transformação também pode ser percebida na visão do espectador envolvido pela história. O Diabo veste Prada, além de abordar o tema, nos faz perceber que a moda está muito mais presente em nossas vidas do que pensávamos.
Entretanto, o roteiro é bem fiel em mostrar os dois lados da moeda. Pois, mesmo num mundo onde beleza e perfeição são essenciais, nem tudo poderia ser tão belo ou tão perfeito assim. Exemplo disso é a trajetória de Andy que, ao supervalorizar a carreira, se rendeu às exigências do trabalho e, por conseqüência, sua vida pessoal começou a desabar. Neste momento, sua história se encontra surpreendentemente com a da toda-poderosa Miranda.
O Diabo veste Prada aborda a moda de uma forma muito séria, com uma visão muito humana e realista e sem recorrer excessivamente aos lugares-comuns que permeiam o tema. Além disso, o filme impressiona pela atuação impecável de Meryl Streep e pelas boas atuações de Anne Hattaway e de
Emily Blunt.
Com um pé em
Sex and the City, que também tinha como personagens lindas e bem-vestidas mulheres nova-iorquinas, o longa é dirigido por Frankel, que tempos antes comandou as gravações do famoso seriado da HBO. A figurinista da antiga série,
Patrícia Field, é também a responsável pelo figurino sofisticado e bem elaborado de O Diabo veste Prada.
Chama a atenção ainda a trilha sonora, assinada por
Theodore Shapiro. Estão presentes faixas de grandes nomes da música pop contemporânea como
Jamiroquai,
Alanis Morissette,
Moby,
U2 e
Madonna, com sua eterna “
Vogue”.