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O Senhor dos Anéis para leigos
Por Sissi Freire — Sábado, 27 de dezembro de 2003
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Hoje, enquanto esperava começar a sessão de O Retorno do Rei, ouvi uma menina perguntar ao rapaz a seu lado: “Esse filme é sobre o que mesmo?” E para a minha surpresa a resposta dele foi exatamente essa: “Um filme que fala sobre duendes, anões e um cara que quer ser rei”.
Isso além de comprovar que, infelizmente, algumas pessoas não se renderam ao encanto da obra de Tolkien, e ainda confundem elfos com duendes, me deixou pensando em uma maneira de explicar um pouco da magia de O Senhor dos Anéis.
Longe de mim querer ser uma expert no assunto. Eu não jogo o card game, não li o livro e não participo de listas de discussões sobre o magnífico universo criado por J.R.Tolkien. Ao contrário, eu sou apenas uma pessoa que desde o lançamento do trailer de A Sociedade do Anel não parou um segundo de ansiar pela conclusão da estória que narrava as venturas e desventuras de Frodo Baggins e seus companheiros.
Mais que uma estória sobre “fadas, duendes, anões e reis”, O Senhor dos Anéis nos fala sobre lealdade, amizade e ideais. Fala sobre a eterna luta do bem contra o mal e sobre como mesmo a mais pura das criaturas pode em algum momento da vida ser corrompido com a promessa de um poder maior.
Acredito que para as pessoas que, como eu, foram apresentadas a Valfenda e Minas Tirith, Gandalf e Saruman, Aragorn e Arwen, Legolas e Gimli e a Gollum e os quatro pequenos hobbits através das telas de cinema, a trilogia não poderia ter sido encerrada de forma mais perfeita. Todas as estórias foram fechadas, a promessa de amor entre um mortal e uma elfa foi concretizada e bem ou mal todos os personagens principais – e porque não chamá-los de mocinhos? - saíram vencedores e com vida. Mais uma vez, o bem venceu o mal, batalhas foram travadas em nome de um poder maior e a vitória foi um bálsamo para os que ainda estavam de pé no fim.
Cenários impecáveis, maquiagem irretocável, profissionais dedicados e um amor incondicional à obra de Tolkien, tornaram possível trazer para o grande público a estória de uma pequena criatura que se vê responsável pelo futuro de um mundo e que ao invés de sucumbir ao poder do objeto que carrega, luta bravamente, sempre acompanhado de perto por seus amigos. A amizade que esse pequeno hobbit inspira nos amigos só pode ser comparada à lealdade que o ranger inspira a seus homens quando finalmente assume sua posição como rei de uma terra quase destruída pelas forças do mal.
Se mesmo assim você ainda acha que eu falei um monte de bobagens e que na verdade o filme é sobre os tais duendes, eu encerro o caso e peço apenas que você se divirta na sua ida ao cinema. Quem sabe então, ao fim das 3 horas de projeção você não acabe concordando comigo?
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