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O Senhor dos Anéis em mãos erradas
Por Luiz Eduardo Ricon — Sábado, 27 de dezembro de 2003
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Agora que Peter Jackson pôs um ponto final em sua adaptação de O Senhor dos Anéis (pelo menos até sair a versão estendida de O Retorno do Rei, depois a caixa com a trilogia inteira, etc., etc., etc...), podemos ponderar sobre os erros e acertos dessa que foi, com certeza, uma empreitada tão heróica e cheia de percalços quanto a jornada de Frodo Bolseiro até o Monte da Perdição. Mas isso é assunto para a resenha que escrevi sobre o filme, agora que ele estreou, e que você pode conferir aqui.
Mas, antes disso, temos que reconhecer que o saldo final de Peter Jackson é pra lá de positivo. E só de pensar no que poderia ter acontecido se O Senhor dos Anéis tivesse caído em mãos erradas já dá arrepios.
Imaginem só:
O Senhor dos Anéis por Tim Burton
Frodo seria o Johnny Depp, Aragorn o Michael Keaton, Martin Landau faria o Gandalf (dessa eu até gostei!). O Shire teria um visual bem gótico, todos os hobbits se vestiriam de preto e teriam os cabelos arrepiados e os olhos esbugalhados, as cenas de ação seriam pífias e não haveria muitas sequências de combate, porque o mais importante é o conflito interior de Frodo diante do Um Anel.
O Senhor dos Anéis por Joel Schumacher
Frodo e Sam são, obviamente, gays, Merry e Pippin também. Aragorn e Legolas também, ora bolas. Gandalf é uma “tia velha”, que anda por aí com um cajado de aparência meio anatômica demais e tem um caso mal-resolvido com Saruman, o multicor. Todas as frases do roteiro terminam obrigatoriamente em algum trocadilho ou piadinha infeliz sobre “anéis” ou “senhores”. As armaduras dos elfos têm mamilos, as armaduras dos orcs têm mamilos, as roupas dos hobbits têm mamilos. Sauron tem mamilos...
O Senhor dos Anéis por M. Night Shyamalan
Haley Joel Osment seria Frodo, Bruce Willis (ou Mel Gibson, interpretando Bruce Willis) seria o Aragorn. O filme todo seria feito com câmera fixa, com aquele ritmo arrastado e interpretações contidas, tudo muito “cabeça”... Ah, e logicamente os filmes teriam sempre um final surpresa, que alguém ia comentar na saída do cinema, enquanto você espera na fila.
O Senhor dos Anéis por George Lucas
Os uruk-hai seriam substituídos por seres fofinhos, para não assustar as crianças e para depois darem origem a uma linha de bichinhos de pelúcia. As falas e situações não fariam muito sentido, mas as cenas de ação seriam de tirar o fôlego, para darem origem a uma série de videogames de sucesso. Os hobbits seriam interpretados por anões (garantindo mais um empreguinho para o Warwick Davis, de Willow) e Gandalf seria totalmente gerado por CGI, dublado por um ator de voz e sotaque irritantes. Tudo o que fosse mostrado no primeiro filme seria totalmente contrário ao que aparece nos demais, mas sem problemas, pois George Lucas faria alterações cosméticas nos anteriores cada vez que lançasse um novo episódio. Claro que haveria um intervalo de pelo menos cinco anos entre eles, para que ele pudesse tirar até o último centavo de cada fã.
O Senhor dos Anéis por Steven Spielberg
A história do Um Anel chegaria ao fim no primeiro filme. Os outros dois, totalmente rodados em preto e branco, descreveriam detalhadamente o “Flagelo do Shire”, com Saruman usando uma roupa com seu novo símbolo (dois S entrelaçados) e algumas adaptações teriam de ser feitas, como por exemplo Saruman tatuando runas a ferro quente no pulso dos hobbits, claro. E de quebra, o Tom Hanks arranjaria algum papel, para ganhar mais um Oscar.
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