No início da década de oitenta, a Marvel tentou entrar no mercado japonês e não conseguiu. Na opinião dos japoneses, os quadrinhos americanos têm muito texto, e a cultura japonesa prioriza mais o visual.
Para resolver esse problema, os executivos da Marvel resolveram contratar o escritor e artista japonês Hiroshi Masuda. Ele reescreveu a história do Homem-Aranha no formato de mangá. A partir desse momento, a Marvel conquistou o Japão. O mangá do Homem Aranha foi publicado até nos Estados Unidos, América Latina e Europa. Hiroshi recriou inclusive o universo Marvel para os quadrinhos japoneses.
O nome do projeto é Mangaverse; mistura de mangá com os personagens Marvel. O mesmo processo foi aplicado na Índia, e o herói aracnídeo mudou de nacionalidade e nome para atender todas as tradições em terras indianas, no entanto, permanece integro quando o objetivo é capturar criminosos da justiça. A revista do Homem Aranha indiano é feita por roteristas e desenhistas do país e tem êxito até na Inglaterra.
A filosofia da Marvel é atacar, modificar e surpreender o público e os concorrentes mesmo que tenha que se infiltrar nas raízes culturais de um país. Há dez anos, Joe Quesada é o editor e presidente da Marvel, e começou como artista na editora.
Ele começou como desenhista na editora, e acabou levantando a empresa depois de uma crise financeira na década de noventa. Em apenas uma década, Quesada fez aliados e inimigos, mas valorizou sempre os escritores e desenhistas da empresa afastando os executivos do setor de criação.
Quesada tem um estilo agressivo e pessoal para comandar a empresa. Sempre atencioso, ele é capaz de responder pessoalmente, os e-mails de alguns leitores e artistas aspirantes. Hoje, a Marvel é uma grande empresa internacional, mas na sua essência funciona como uma pequena editora dos anos sessenta.
Mudanças
Nessa reformulação, Quesada contratou escritores de ficção e roteiristas de televisão dos Estados Unidos. Ele abriu ainda mais o mercado para desenhistas estrangeiros, principalmente brasileiros e asiáticos gerando uma revolta de alguns artistas americanos. Muitos desses artistas estrangeiros recebem o roteiro traduzido para o seu idioma, e o custo deles é menor, já que os mesmos são freelancers.
A Marvel lucra cada vez mais com os licenciamentos dos heróis e vilões no mundo. Quando necessário, a empresa faz modificações no conteúdo para atender o público. São quase cinco mil personagens e a editora faz de tudo para valorizar cada vez mais sua marca: No mercado cinematográfico, televisão e brinquedos.
Atualmente, nos Estados Unidos, a Marvel está vendendo quadrinhos clássicos no formato de CD-ROM. A grande vantagem dos quadrinhos em CD é principalmente o preço. São as 10 primeiras aventuras de 10 personagens:
Homem-Aranha (1962),
Incrível Hulk (1962),
Demolidor (1964),
X-Men (1975),
Quarteto Fantástico (1961),
Capitão América (1964),
Vingadores (1963),
Namor, o Príncipe Submarino (1962),
Homem de Ferro (1963) e
Surfista Prateado (1966).
No passado, a Marvel era uma pequena editora americana que descobriu o mercado de super heróis. Hoje, a empresa nova-iorquina é maior que a sua rival DC Comics; e vende mais revistas que suas rivais. O lucro líquido da Marvel ultrapassa os noventa milhões de dólares anualmente.
As vendas dos quadrinhos diminuíram muito; mas a poderosa Marvel está cada vez mais presente no mercado americano e internacional, mesmo que tenha que fazer revoluções internas para manter sua hegemonia.