Mike Allred costuma dizer que há três “B”s que definiram sua vida: Beatles, Bond e Batman. Se você adicionar “birutisse” ao conjunto, tem uma boa idéia do que é o
Madman, seu filho mais famoso, que 12 anos após a publicação nos Estados Unidos, pode ser finalmente apreciado em carreira solo – ele já tinha aparecido por aqui em um crossover com o Superman – em
Madman Comics Vol. 1, lançado pela Pixel Media há alguns meses. Entre os ensaios do Gear, banda em que é guitarrista e vocalista, e a preparação de novos trabalhos, como uma adaptação para HQ do
Livro de Mórmon, o ex-repórter de TV que fez pontas em vários filmes de Kevin Smith – e desenhou o logo de alguns deles – bateu um papo com a gente.
Para começar, vamos falar do Madman. De onde veio o personagem? Qual foi sua inspiração?
Eu estava fazendo alguns trabalhos bem esotéricos quando comecei. Meus roteiros eram tanto experimentais quanto existenciais. Mas não estava tendo a diversão que um quadrinista deve ter com o seu trabalho. Decidi trazer alguma luz para o meu trabalho. Queria fazer algo com o que meus filhos se divertissem – algo com o que eu me divertiria se fosse uma criança, mas mantendo ainda uma sofisticação.
Tudo isso veio facilmente colocando um uniforme na minha criação favorita, Frank Einstein. E a metamorfose começou.
Você usa muitas referências de fora dos quadrinhos, como filmes e música. Isto também é uma maneira de trazer novos leitores?
Eu acho que todos os tipos de arte, diversão e inspiração podem se complementar. Só tento estar aberto a tudo isso.
Quem você acha que é o leitor atual? Para quem você faz os seus quadrinhos?
De certa forma, eu crio para alguma parte de mim mesmo. Seja o meu eu-criança, o meu eu-romântico, o meu eu-raivoso, etc… Não quero arriscar quem é o meu leitor. Já conheci tanta gente diferente que se sentiu atraída para diferentes elementos do meu trabalho que seria inútil agradar a todos ao mesmo tempo.
O que você acha de quadrinhos na internet e em outras mídias?
Putz, sou um retardatário nessas coisas. Acho uma ótima, mas eu, pessoalmente, estarei sempre ligado à experiência de desenhar e ler no papel. A textura, o cheiro…
O que você tem lido? Quem tem feito boas HQs atualmente?
É sempre difícil responder isso porque eu sempre esqueço alguém. Mas, analisando o que vem à minha cabeça e comparando com a pilha de revistas do meu lado:
– Acho
Fábulas facilmente a série mais brilhante que está sendo publicada agora. Genial! Queria eu ter tido aquela idéia. Roteiro e arte incríveis, com as capas de James Jean que se aproximam de mágica.
– Eric Powell é um dos cinco melhores artistas trabalhando em séries regulares.
The Goon tem um conceito simples, mas Eric nunca falha em divertir e surpreender.
– Darwyn Cooke sempre me fascina. Eu adorei
A Nova Fronteira! Mal posso esperar para ler o crossover Batman/Spirit que ele está fazendo.
–
Craig Thompson é espetacular.
–
Rocketo [série de
Frank Espinosa] é matadora! Ótimo manterial!
–
Godland [HQ escrita por Joe Casey e Tom Scioli e desenhada por Bill Crabtree] detona!
–
All-Star Superman é um tratado. Frank Quitely e Grant Morrison sempre elevam os parâmetros quando fazem coisa junto.
–
Batman Ano 100 do
Paul Pope foi sensacional
Estes são alguns dos artistas que eu acompanho tudo o que fazem. Mas tenho certeza que estou esquecendo dezenas de álbuns que gosto.
Para terminar: após Madman, que trabalho seu deve ser publicado no Brasil?
Eu sugiro
Red Rocket 7 and The Atomics, mas estou preparando uma nova – e a melhor – série do Madman:
Madman Atomic Comics. Sempre contem com o Madman! ¤
