Na verdade, o filme em si é um problema...

Populares com seu programa de televisão e seu humor agressivo e grosseiro, os humoristas da Casseta e Planeta têm seu público específico, mas também têm aqueles que não suportam assisti-los. Em seu segundo longa-metragem para o cinema, o grupo da Casseta mantêm seu estilo humorístico, e não parece ilógico acreditar que seus admiradores irão gostar da realização. O filme, contudo, dificilmente irá atrair um público muito maior que aqueles que ainda acham graça no seu estilo de humor: realmente, é preciso gostar muito do grupo para achar graça neste
Casseta e Planeta - seus problemas acabaram.
Dirigido sem imaginação alguma por
José Lavigne, o filme é um equívoco desde o início: na trama, as Organizações Tabajara (criação do grupo de comediantes que vende todo o tipo de bagulho possível e imaginável) está a pleno vapor e seus produtos fazem enorme sucesso de vendas graças ao marketing com que são divulgados (curiosamente, uma metáfora do próprio grupo Casseta). Um exemplo: para os corações solitários, por exemplo, há um produto das Organizações que é capaz de fazer com que uma Juliana Paes se apaixonar imediatamente...
Porém, apesar de seu sucesso popular, os inventos das Organizações Tabajara são, também danosos à saúde, e, em virtude disso, um advogado trapalhão e sua assistente atrapalhada tentar restabelece a lei e a ordem, fazer justiça e processar o grupo.

Tal colocação -
um advogado trapalhão e sua assistente atrapalhada tentar restabelecer a lei e a ordem - pode sugerir algum tipo de ironia. ou de deboche. É intencional, porque combina direitinho com o que, no sentido negativo,
Casseta e Planeta - seus problemas acabaram veicula: deboche, ironia, desrespeito com as minorias e com os que sofrem preconceitos... além de tudo, tal deboche se dá através de um roteiro muito, mas muito ruim, que cria uma confusão tão grande sobre a trama que, embora a princípio esta seja simples, a mesma acaba se tornando desnecessariamente confusa. Os humoristas do Casseta são talentosos, mas têm o hábito de só criarem personagens antipáticos, sem carisma e que não cativam o espectador - salvo seus poucos admiradores.
Murilo Benício (aqui, interpretando o advogado) é um excelente ator, mas sozinho não há como fazer milagre.
E há boas criações interpretativas da parte dos humoristas, sim - como o espião internacional criado por
Hubert - mas, aprisionados dentro do contexto geral de deboche e grosseria típicos da Casseta, nem mesmo tais caracterizações conseguem slvar o filme. E, finalizando, do ponto de vista técnico o filme é muito mal-realizado. Bem ruinzinho mesmo.