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Moacyr Goés fala de Trair E Coçar É Só Começar
Por Carlos Dunham — Quarta, 23 de agosto de 2006
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Na semana que antecede o lançamento de Trair e Coçar É Só Começar, o diretor do filme, Moacyr Góes, esteve em São Paulo com parte do elenco principal e ofereceu à imprensa uma agradável entrevista, na qual revela como o filme foi realizado e suas expectativas para o lançamento.
Trair e Coçar É Só Começar estréia nos cinemas brasileiros dia 25 de agosto.
- Como você avalia Trair e Coçar É Só Começar?
Moacyr Góes: É o meu sétimo longa-metragem, e o que mais me deu prazer em fazê-lo, mesmo porque sou oriundo do teatro; acredito que o público que for assisti-lo irá ver refletido nas telas o ambiente descontraído, agradável, com que o trabalho foi realizado. Aliás, é importante mencionar a participação da Adriana Esteves: comédia é fundamentalmente um trabalho de ator, e compete ao diretor entender isso. A Adriana, aliás, está vivendo uma fase de maturidade em sua carreira, e está fenomenal como Olímpia. Também foi muito bom retomar a parceria com o (produtor) Diler Trindade, com quem eu já havia trabalhado anteriormente.
- Você começou no teatro, passou pela televisão e agora está fazendo um filme após o outro. Como se deu essa transição?
Moacyr Góes: Eu sempre me dediquei ao teatro, mas sempre fui apaixonado pelo cinema; contudo, até há alguns anos, faltava uma boa indústria. A experiência na televisão foi muito rica, contudo agora estou tendo a oportunidade de me dedicar mais ao cinema: hoje sou 100% Trair e Coçar É Só Começar, como no futuro serei 100% outro filme, outra peça...
- Você acha que o filme irá competir com a peça ou vão se completar?
Moacyr Góes: Eu acho que eles não competem entre si porque a peça é a peça e o filme é o filme, são obras independentes, seus públicos são diferentes. Creio, sim, que o público que viu a peça (nota: foram 5 milhões de espectadores que viram a obra nos palcos) irá querer ver o filme, mas são dois produtos diferentes, o filme tem uma linguagem cinematográfica, enquanto a peça é nitidamente teatral. E acredito que o fato de ambas as obras terem sido trabalhadas para a linguagem de suas respectivas mídias foi o sucesso da peça e deverá garantir o sucesso do filme.
- Para você, existem outros ítens que possam assegurar esse sucesso?
Moacyr Góes: Sim, porque foi uma obra onde, já nas filmagens, sentia-se que iria funcionar; para se ter uma idéia, muito do que se vê na tela foram erros do elenco, mas que funcionaram tão bem que acabaram ficando e entraram no filme. Um exemplo foram as caras e bocas do Cássio (Gabus Mendes) que, na verdade, não eram do Eduardo, personagem dele, mas sim do ator, deslumbrado com o trabalho da Adriana. Aliás, a escalação do Cássio partiu de uma sugestão da própria Adriana, que desejava retomar a parceria com ele. E, voltando a falar do ambiente no set, muitas vezes a equipe técnica ria com as cenas e as trapalhadas da (personagem) Olímpia, o que demonstra que o que estava sendo filmado estava agradando.
- As últimas tentativas do cinema brasileiro de filmar peças de teatro não foram bem-sucedidas. Como você pretende mudar isso?
Moacyr Góes: Cada caso é um caso, não vamos parar de adaptar peças, nem transformar isso em uma sentença. Não creio que uma mídia leve o público de outra, mas também não colidem; acho que o trunfo do filme é o próprio filme, a sua simplicidade... é ser uma estória bem contada que poderia acontecer a qualquer um de nós.
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