Mais charme e poder de fogo em Miami

Duas décadas depois da estréia de
Miami Vice na TV, os detetives Sonny Crockett e Ricardo Tubbs reaparecem na telona mais destemidos, audaciosos e charmosos. No
remake, os dois agentes -interpretados por
Collin Farrell e
Jammie Foxx-, respectivamente, se mostram como variações menos bem comportadas de um estilo que tem como referência o personagem Jack Bauer (da série
24 Horas).
Assistindo o filme, tem-se a impressão de que os investigadores fazem parte de uma polícia que, definitivamente, não existe. De tão eficiente e bem preparada. No enfrentamento a uma organização do crime organizado que impressiona pelo nível de sofisticação, os policiais comandados pelo Tenente Castillo (
Barry Shabaka Henley) são praticamente imbatíveis.
Os detetives Crockett e Tubbs dos anos 80, interpretados por
Don Jonhson e
Philip Michael Thomas, soam ingênuos perto do poder de fogo dos agentes que o diretor
Michael Mann apresenta em seu filme.
Mann não economizou nas seqüências de ação, nas cenas em que armamento pesado e explosivos aparecem nas mãos de policiais e bandidos, nas tomadas em que uma parafernália tecnológica serve a vilões e mocinhos.

O diretor mostra o enfrentamento entre a polícia e o crime no que seria a Miami dos dias de hoje, abusando das cenas de violência e de derramamento de sangue. Em alguns momentos, beirando o exagero.
O roteiro, de forma sutil, aborda os conceitos (e pré-conceitos) que os norte-americanos têm sobre a origem do crime organizado e do tráfico de drogas naquela região da Flórida. Prova disso é que grande parte da história se passa na América Latina.
Na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai, estaria a sede da célula criminosa na qual Crockett e Tubbs se infiltram. Não por acaso, a droga, que tem como destino os EUA, é embarcada na Colômbia. Além disso, o Haiti serve de ponto de encontro dos traficantes e Cuba é o refúgio de uma das integrantes da organização criminosa, a asiática Isabella (
Gong Li). A personagem, que representa a face feminina do crime em
Miami Vice, faz um belo par romântico com o agente Sonny Crockett.
Como não podia deixar de ser, os detetives se vêem envolvidos por seus conflitos pessoais na luta contra o crime. O que é também a maneira de se mostrar o lado humano dos heróis: Crocket com seu charme e romantismo e Tubbs com sua previdência e bom senso. Faltou a "ingenuidade" e o carisma dos anos 80.