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Nós Lemos: Authority - Sob Nova Direção
Por Marcelo Tavela — Terça, 15 de agosto de 2006
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Duelo no curral do Authority 
Uma rua de terra deserta. Passam bolas de feno rolando ao vento. Superclose nos olhos espremidos dos protagonistas. Doc Holliday e Wyatt Earp? Nada. Warren Ellis e Bryan Hitch de um lado; Mark Millar e Frank Quitely do outro. As duas duplas usando a mesma arma: o Authority. O duelo é a grande atração de Authority – Sob Nova Direção, segundo encadernado do grupo que a Devir Livraria lança, um split com as duas equipes criativas.
A trama conjunta, que une as sete partes do álbum e dá seu subtítulo, é a troca de liderança na equipe, já que Jenny Sparks, o espírito do século XX, sobe no telhado com o fim de seu tempo. Ellis e Hitch mostram seus últimos momentos, em que o Authority tem que enfrentam um ser de proporções planetárias que se aproxima para devorar a Terra. Millar e Quitelly mostram o grupo, agora liderados Jack Hawksmoor, procurando o espírito do século XXI enquanto enfrentam um cientista maluco refugo da Guerra Fria.
E os vencedores do duelo são Millar e Quitelly. Warren Ellis pediu o boné na hora certa: após dar vida e passar um ano com o grupo de indivíduos poderosos que, na definição de Howard Chaykin no prefácio, são o que aconteceria se indivíduos realmente poderosos existissem, o roteirista ficou meio sem idéias. Sua parte no álbum com Bryan Hitch, Trevas Cósmicas, emula a vinda de Galactus, e termina de uma forma meio seca, sem ser muito inovadora. É pouco para quem faz coisas como Planetary. Mas deixou o caminho livre para Mark Millar.
Hitch tem um estilo clássico e limpo. Ganha pontos com a forma carinhosa que mostra a Engenheira e sua fascinação no seu primeiro vôo espacial. Mas Frank Quitely esculacha na narrativa. Logo nas primeiras páginas de Natividade, a parte da história que ele produz com Millar, mostra de uma forma muito econômica e eficiente o Authority detonar um sub-Pol Pot no sudeste asiático.
Mark Millar é um sacana. Seu estilo ácido e irônico combina muito com o grupo. Transforma o Authority em sensação da mídia – já que o grupo tem mais poder no mundo que a maioria dos governos – e produz um massacre contra uma versão mais hardcore dos Vingadores (ou dos Supremos). Destaque para o embate entre Meia-Noite e o Homem-Tanque. E Millar se desvencilha de um defeito seu: a história não cai no final. A forma como o Authority se livra de Jacob Krigstein é bem original.
Tirando a média, Authority – Sob Nova Direção fica com três raios – dois para Ellis e Hitch; quatro para Millar e Quitelly. Mas isto é só uma opinião. O melhor deste duelo é que, ao contrário de Holliday e Earp, é o leitor quem decide o vencedor. E, no fundo, é ele que ganha.
Authority – Sob Nova Direção tem formato 24 x 17 cm, 192 páginas e custa R$ 43. Um trecho da primeira história pode ser lido aqui.
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