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Oh, Johnny!
Por Maria Luiza Porto — Segunda, 7 de agosto de 2006
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Estou certa de que o público feminino assim como, não duvide, o masculino devem concordar comigo: Johnny Depp é “o cara”. O moço se consagrou como sendo exceção à regra, aquele que dobrou a indústria de Hollywood de tal forma que a fez curvar-se em reverência.
Depp não é famoso apenas por interpretar com maestria mas também por saber escolher a dedo seus papéis. Na maioria das vezes, é a bizarrice de seus personagens que predomina contrastando com seu óbvio físico de galã. Até hoje não se pode dizer exatamente se os filmes feitos por Johnny são realmente bons ou se é a sua presença que os torna tão interessantes. E o que pode ser mais irresistível do que a beleza aliada à criatividade?
A impressão que dá é que Johnny Depp sempre teve a faca e o queijo na mão e por isso nunca teve que se “vender” em participações óbvias para se promover. Parece estar sempre navegando por mares densos e desconhecidos com o vento a seu favor. Certa vez, uma ex-professora minha de cinema disse que o ator não é escalado para determinado papel devido à sua capacidade de interpretá-lo, mas sim, pela simples razão de já haver se tornado o personagem na vida real.
Então, nos resta uma pergunta: será Johnny realmente um ator de multi-talentos, capaz de incorporar tantas figuras estranhas de maneira deliciosa, ou ele é, na verdade, um cara meio “maluquete” de personalidade fronteiriça e esquizofrênica?
Vejamos alguns de seus personagens mais célebres: Edward Mãos-de-Tesoura, Willy Wonka, Don Juan DeMarco, o pirata Jack Sparrow, Ed Wood, o drogado Raoul Duke de Medo e Delírio em Las Vegas, o escritor Mort Rainey de Janela Secreta e por aí vai... É uma muita excentricidade para um homem só.
Se bem que, para não dizer que não falei de flores, Depp já provou de alguma normalidade como o sonhador Gilbert Grape e o autor James Barrie, de De Volta à Terra do Nunca. Mas, embora esses personagens fossem alguém com quem se pode bater um papo num domingo de manhã, a atmosfera dos enredos se mantinha sempre fora do convencional.
Em seu último filme estreado no Brasil - O Libertino - podemos observar um ator que ainda não se cansou da irreverência. Na película, Johnny interpreta John Wilmot, um Conde poeta, rebelde e devasso que abusa de sua ousadia e prestígio. Ora, confesso que me deu preguiça... O que era antes a exceção já virou via de regra. A obviedade da escolha de Depp para o papel nos dá a sensação de um remake constante, uma ode a ego-trip de um John sobre outro John. No fim da sessão, fiquei refletindo sobre como o ator se sairia interpretando o Ross de Friends e depois de um ou dois capuccinos cheguei à conclusão de que o poderia fazer com perfeição, o problema é querer.
Mas, na verdade, por que Johnny Depp optaria por viver personagens rasos e bobos no cinema, se fazer o que gosta já lhe rendeu tal fortuna que o possibilitou comprar até uma ilha particular nas Bahamas? Enfim, a pergunta nem merece resposta. Façamos, então, um brinde à loucura de John Christopher Depp II reproduzindo as palavras finais de seu debochado libertino. “Do you like me now? Do you like me now? Do you like me now?”.
Oh, yeah baby!
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