ESPECIAL: nos bastidores da Marvel

Por Ricardo Chacur — Terça, 1 de agosto de 2006

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Com mais de 4.700 personagens, a Marvel se transformou no império de heróis e vilões fantásticos, que estão presentes em todos os continentes do mundo.


Parte I. O Começo


Em 1939, a editora norte-americana Timely Comics publicava quadrinhos de humor, policiais, terror, ficção e faroeste. A editora lançou o primeiro número de uma revista em quadrinhos chamada Marvel Mystery Comics, que conseguiu conquistar milhares de leitores. Nas primeiras edições apareceram os heróis Tocha-Humana e Namor, o Príncipe Submarino. Criado por Bill Everett, Namor era o príncipe de Atlântida. Com uma grande força física, ele tinha poder de voar e capacidade de respirar dentro da água. Já o herói Tocha, por sua vez, não era humano, mas um robô criado por um cientista.

Com o sucesso dos dois personagens, nas edições 8 e 9 de Marvel Mystery Comics aconteceu o conflito entre os heróis Namor e Tocha Humana. O grande combate entre o fogo e água foi responsável pelo grande sucesso nas vendas, e cativou crianças e jovens pela trama repleta de ação e fantasia. Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda-Guerra Mundial, o presidente Franklin Roosevelt pediu o apoio dos meios de comunicação do seu país.

Rapidamente, os heróis Namor e Tocha Humana esqueceram as rivalidades, e se juntaram para derrotar os alemães na guerra. Atendendo o pedido do presidente, a editora solicitou para o escritor Joe Simon e o artista Jack Kirby de criarem um personagem patriótico, que lutasse pelo sonho americano. Vestindo um uniforme azul, vermelho e branco, apareceu pela primeira vez o super soldado conhecido como Capitão América. Na primeira edição, o herói nacionalista espancou vários nazistas usando um escudo indestrutível, e desmoralizou o próprio Hitler em pessoa. Quando terminou a Segunda Guerra, as aventuras do Capitão América entraram em decadência.


Parte II. Sobrevivência e Conspiração nos Quadrinhos


Nos anos cinqüenta, a Timely Comics enfrentou problemas financeiros e a queda vertiginosa nas vendas de revistas. Para complicar ainda mais a situação, o psicólogo alemão Fredric Wertham, escreveu o livro Seduction of the Innocent (Sedução do Inocente). Era uma obra bombástica, criticando os personagens dos quadrinhos. Com mais de quatrocentas páginas, o autor esmiuçou os personagens dos quadrinhos, explicando que havia idéias subversivas. Por exemplo, ele dizia que os personagens da editora DC Comics, como Batman e Robin, eram homossexuais e a Mulher Maravilha passava uma mensagem sadomasoquista. O livro caiu como uma bomba na indústria de quadrinhos.

Na época, os Estados Unidos estavam no período da Guerra-Fria e de caça aos comunistas, e a opinião do psicólogo foi devastadora. Para evitar uma censura externa às editoras americanas se juntaram e criaram a Comics Code Authority. O objetivo da entidade era censurar os quadrinhos polêmicos, agradar público e distribuidoras. Essa união das editoras não visou somente uma sobrevivência, mas com o objetivo de tirar do mercado a editora EC Comics que publicava quadrinhos de crime, terror, sexo e o humor polêmico da revista MAD que satirizava o estilo de vida americano.

A EC Comics estava fazendo sucesso em cima da concorrência com suas publicações alternativas. A Comics Code Authority foi o pretexto das editoras que acabaram frustrando os planos de expansão da EC que teve que encerrar diversas publicações.
Das cinqüenta editoras de quadrinhos que existiam nos Estados Unidos, somente quinze sobreviveram na triste época da caça as bruxas.


Parte III. O Nascimento da Marvel


Buscando construir uma nova imagem, a editora Timely Comics acabou gerando uma filial com o nome de Atlas Comics. Internamente, começou um processo de reestruturação na produção das revistas. Apesar das vendas baixas, a empresa ainda apostava suas fichas nos quadrinhos de terror, ficção cientifica e até romance. Mas aconteceu um imprevisto: A distribuidora da editora faliu, e isso dificultava na distribuição das revistas que tinha fazer acordos para sua sobrevivência.

Nos anos sessenta, o editor da Atlas Comics, Martin Goodman, participou de uma partida de golfe com Jack Liebowitz, um dos donos de sua grande rival, a DC Comics. Durante a partida, o editor Martim Goodman, sem alternativa, fechou um acordo com sua concorrente, e ficou estipulado que a própria distribuidora da DC Comics poderia distribuir até oito revistas da sua rival Atlas Comics. Sem dinheiro para contratar novos escritores, o editor Martim Goodman resolveu aproveitar essa sobrevida e misericórdia com uma fórmula caseira: Ele apostou suas fichas no seu funcionário Stanley Martin Lieber, carinhosamente conhecido como Stan Lee. O dedicado Stan Lee era respeitado na editora, porque trabalhava na empresa desde os 17 anos, quando entrou como office boy.

Em seguida, Stan Lee lutou na Segunda Guerra onde escreveu manuais e roteiros para filmes de treinamento militar. Quando voltou da Europa trabalhou como escritor e editor da revista Marvel Comics. Apesar da experiência no ramo, Stan Lee não sabia como reverter aquela situação caótica na empresa onde trabalhava. Numa conversa com sua esposa, Stan foi incentivado a realizar um roteiro fantástico, como sempre sonhou. Encarregado pelo tio, Stan Lee e o desenhista de quadrinhos de ficção Jack Kirby tinham como missão criar uma revista que vendesse e pudesse fazer concorrência à revista da Liga da Justiça, que era publicada pela DC Comics. A revista da Liga da Justiça nada mais era do que todos os principais heróis da editora lutando junto.

Com ousadia e determinação, Stan e Jack podiam pegar os heróis da editora e fazer o mesmo, no entanto, os dois resolveram começar do zero, e criaram a revista Fantastic Four(Quarteto Fantástico). A trama era sobre quatro amigos que acabaram pegando uma tempestade cósmica dentro de um foguete experimental. Contaminados pela radiação, os quatro astronautas novatos ganharam poderes e habilidades bizarras. Reed Richards, líder do grupo ficou com o poder de esticar o seu corpo como elástico; sua namorada, Sue Storm, adquiriu o poder de ficar invisível e criar campos de força; o irmão da garota, Johnny Storm, o poder de se transformar numa tocha humana; e o piloto Ben Grimm se transformou no monstro de pedra, em um processo irreversível e traumatizante.

A revista foi um sucesso, porque exibiram personagens com problemas, sentimentos humanos e vivendo numa metrópole como Nova York. Fantastic Four foi uma revolução no mercado editorial, na narrativa no universo dos super-heróis e cometiam até erros humanos. Não eram todos os heróis que tinha problemas e inseguranças. O público jovem se identificou com aquela família que lutava contra poderosos inimigos, e ao mesmo tempo tinham tantas diferenças. Nos primeiros números, a revista que antes era bimestral acabou virando mensal. Sabiamente, o editor Martim resolveu criar a editora Marvel Comics para atender essa nova linha editorial de super-heróis.

Em 1962, o escritor Stan Lee e o artista Jack Kirby resolveram criar um monstro para uma nova revista. A mesma dupla, no ano anterior, havia lançado o Quarteto Fantástico, que foi uma verdadeira revolução nos quadrinhos, pelos conceitos dos heróis e as histórias inovadoras; só que dessa vez tinha que superar as expectativas. Eles criaram Hulk e logo em seguida X-Men. Stan Lee não se acomodou e, junto com outros desenhistas criou Homem de Ferro, Homem Aranha, Thor, Doutor Estranho, Demolidor, Surfista Prateado e Os Vingadores que fazem sucesso até os dias de hoje.




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