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Nós vimos II: Zuzu Angel
Por José Antônio Mansur — Segunda, 31 de julho de 2006
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Quem era a mulher que só queria embalar o filho na escuridão do mar
Zuzu Angel conta a história da famosa estilista que lutou para descobrir o que aconteceu com o filho, preso e morto pela ditadura militar. O filme é dirigido por Sérgio Rezende. Ele é um especialista em biografias e já filmou as vidas de Lamarca, Barão de Mauá, Tenório Cavalcanti e Antônio Conselheiro – com resultados artísticos variados. Em seu novo filme, Rezende faz um filme que, se não é perfeito artísticamente, transborda emoção especialmente na personagem vivida por Patricia Pillar. É impossível não se condoer com a dor de uma mãe que perde o filho, seja ela de Acari, da Praça de Maio ou de qualquer outro lugar onde bandidos – com ou sem farda – estão à solta.
Patricia Pillar aparece em praticamente todas as cenas do filme num desempenho difícil que mostra a passagem da estilista alienada para a mãe batalhadora de forma convincente e emocionante. Ela é o coração de um filme que pulsa com indignação ante os horrores dos anos de chumbo no Brasil. Até agora, é a melhor performance do ano. Do resto do elenco, Daniel de Oliveira e Leandra Leal comprovam mais uma vez seu talento. Ângela Vieira demonstra a segurança de sempre. Apenas Luana Piovani deixa a desejar.
O roteiro tem momentos dispensáveis (como a cena com Elke Maravilha) mas, no geral, apresenta belos momentos como o reencontro onírico de mãe e filho no final do filme. Também merece destaque a nova versão da belíssima “Angelica” que Chico Buarque compôs em homenagem à estilista. Zuzu Angel é um daqueles filmes que deveriam ser obrigatórios nos colégios para que as gerações mais novas soubessem o que já aconteceu durante a ditadura militar no Brasil e tomassem cuidado para não deixar que algo assim se repetisse. Este é um legado que Zuzu gostaria de ter deixado.
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