Isso já foi visto antes...

Um pequeno grupo de pessoas aventura-se por uma região inóspita e lá, isoladas do resto da sociedade, depara-se com um grupo de psicopatas que começa a matar, um por um, os membros desse grupo, da forma mais atroz possível.
Diga: quandos filmes com essa mesma sinopse você já viu?
Viagem Maldita,
remake de um clássico do terror dirigido pelo então iniciante
Wes Craven em 1977, está longe de ser um filme original - e não por se tratar de uma refilmagem, mais uma, nessa verdadeira febre que vem acometendo os produtores hollywoodianos. Reside aí o grande problema do filme, que, na verdade, é algo que transcende a este:
Viagem maldita não traz nada de novo ao front cinematográfico. E, chega-se um ponto que, independente da qualidade com que o filme é feito, o que o público quer ver mesmo é algo original. Característica que esse filme aqui definitivamente não tem - e não por se tratar um
remake, que seja repetido.
Além da falta de originalidade, um outro problema prejudica
Viagem maldita: as cenas onde os psicopatas (na verdade, vítimas de experiências radioativas em um deserto no interior americano)

matam suas vítimas - uma família que viajava em um trailer, até que este pifa no meio do local - são excessivamente violentas, como se a mistura houvesse passado do ponto e ficado temperada demais. É verdade que gosto não se discute: esse excesso de violência sempre poderá agradar a alguns. Que cada espectador decida, baseado em suas preferências pessoais.
Uma virtude, porém, o filme possui: a montagem é simplesmente magnífica, parecendo até mesmo que, na sala de edição, foram feitos todos os esforços do mundo para tentar salvar filme. Uma cena é sintomática disso: em determinado momento, já no desfecho da trama, um dos personagens tem a ponta de alguns de seus dedos decepados. Pode-se imaginar a dor que tal mutilação causaria, não? Mal-dirigido por
Alexandre Aja - cineasta francês que comandou a produção - o intérprete deste personagem não esboça sequer uma reação de dor, como se não houvesse perdido seus dedos, mas apenas levado um beliscão ou coisa assim.
Pois não é que
Baxter, o montador do filme, consegue salvar a situação inserindo um fotograma de algo que não tem, a princípio, relação direta com a cena, e com isso consegue
ludibriar os equívocos do diretor, sugerindo que a expressão de dor poderia ter acontecido naquela interrupção?
Viagem Maldita traz um trabalho brilhante de montagem, e esse é, na verdade, o quesito mais original do filme. Algo até mesmo paradoxal para uma realização que peca exatamente pela falta de originalidade, mas que (espera-se) prova aos produtores de cinema que, havendo originalidade, haverá público, sucesso, lucros e gente interessada em ver os filmes. Excesso de repetência dá a impressão que estão copiando alunos que não conseguem passar de ano.