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O lado negro da força venceu
Por Eudes Honorato — Quarta, 24 de dezembro de 2003
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A primeira vez que vi o filme Guerra nas Estrelas (Star Wars: Episode IV – A New Hope, 1977) foi quando a TV Manchete inaugurou em 1983. Entre vários filmes inéditos na TV brasileira até então, estava ele. Nos cinemas, não coincidentemente, estreava O Retorno de Jedi (Star Wars: Episode VI – Return of the Jedi, 1983). Mas eu não podia ir, então me contentava com o “primeiro” filme da saga passando na TV.
Era simplesmente fantástico ver aquelas naves (em preto e branco) singrando o espaço e aquelas batalhas extraordinárias. Torcer pelo mocinho, achar aquele cabelo da mocinha muito esquisito e ficar meio irritado com o Han Solo, quando este se despede de Luke Skywalker e resolve não lutar na batalha da Estrela da Morte.
Logo passou o Império Contra-Ataca (Star Wars: Episode V – Empire Strikes Back, 1980), e me deliciei da mesma forma. Efeitos especiais, hoje considerados toscos, como o tautaun que Han Solo cavalga, em stop-motion, eram o que de melhor havia em matéria de efeitos especiais, principalmente numa época em que a TV reprisava os filmes de Simbad, O Marujo, com os efeitos especiais do mito Ray Harryhausen.
Depois de alguns anos, O Retorno de Jedi também passou na TV, e eu estava lá presente, vendo um Luke mais maduro, um monstro nojento chamado Jabba, speeder-bikers, uma nova Estrela da Morte em construção, Princesa Leia mais sensual (oh, meu Deus, como os sonhos são destroçados: esses dias assistindo o seriado Good Morning Miami, vi Carrie Fisher fazendo papel de mãe de um dos protagonistas!) e, infelizmente, os famigerados ewoks.
Na era do videocassete, quando os filmes foram lançados, eu ganhei um pacote com os três. Meu irmão me deu de aniversário. Originais, sem alterações. O que fiz? Como não sou um fã muito fiel, logo eu enjoei e... VENDI (O que é pior, vendi um presente). Conseguir essas fitas originais hoje em dia é uma verdadeira busca ao tesouro.
Mas eu não fazia idéia do que estava por vir, das alterações feitas em 1997. Não fui assistir no cinema. Eu estava realmente aborrecido. Quando chegaram em VHS, meu irmão me deu de presente (meu irmão realmente acha que eu sou fanático por Star Wars, creio eu). Então, de início eu até me fascinei com algumas inserções, com o aumento de cidades, com explosões mais intensas. Mas não conseguia deixar de pensar naquele Jabba que parecia uma lesma e que era do tamanho de Han Solo. Naquele efeito estranho, para que Greedo atirasse primeiro. Ou seja, fui vendo que um sacrilégio havia sido cometido.
Sim, eu vendi essa segunda coleção também (meu irmão estava começando a se irritar). Daí, depois de 16 anos, chega o esperado prequel da saga. Foi a primeira vez que fui ao cinema ver um filme de Star Wars, o Episódio I – A Ameaça Fantasma (Star Wars: Episode I – The Phantom Menace, 1999). Passado o efeito dos efeitos especiais, eu comecei a analisar e ver que nada mais seria como antes. Detestei o filme. Detestei o segundo episódio (Star Wars: Episode II – Attack of The Clones, 2002), e Star Wars passou a ser algo guardado num canto do meu passado.
Saber das novas mudanças e de como estas sempre dão dor de cabeça só faz eu retomar minha decisão de somente lembrar da saga que mudou a história do cinema e revolucionou os efeitos especiais como parte de minha infância, e não de minha vida adulta.
Se eu sou contra mudanças? Não. Sou contra a mutilação total. Por isso, digo que não sou “aquele” fã de Star Wars, pois consigo gostar da saga (os filmes antigos), mas odiar o rumo que ela tomou.
Aliás, meu irmão me deu dois guias visuais de Guerra nas Estrelas. Não... não os vendi. Troquei-os pelos encadernados de V de Vingança...
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