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American way uma ova
Por Pedro Alencastro — Terça, 18 de julho de 2006
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Batman X Coringa, Homem Aranha X Duende Verde, Hulk X General Ross... De todos os confrontos entre heróis e vilões de HQs, Superman X Lex Luthor é, de longe, o mais desigual. Imaginem os dois em um ringue de luta. De um lado, o invulnerável homem de aço, com sua força sobrenatural, mais rápido que uma bala e, como se não bastasse, capaz de voar. Do outro, um ser humano absolutamente normal. Ou melhor, quase.
Lex é daquele tipo de gente que subornaria o juiz para vencer o duelo antes mesmo de soar o gongo. Atitude condenável, embora compreensível. Diante de um adversário infinitamente mais forte, não lhe restaria outra saída a não ser apelar para tramóias mirabolantes. Até porque, todo vilão que se preze tem as suas. Magneto tentou transformar autoridades políticas em mutantes, Dr. Octopus quase destruiu o globo terrestre com sua invenção e Ra’s Al Ghul arquitetou um atentado terrorista que deixaria Bin Laden morrendo de inveja – só pra ficar nos exemplos mais recentes.
Nenhum deles, entretanto, se compara com a última falcatrua do malvadão interpretado por Kevin Spacey. Quem ainda não assistiu Superman – O Retorno, de Brian Singer, sugiro que para de ler a coluna se quiser evitar spoilers, combinado? Então tá.
Quando Lex descobre a Fortaleza da Solidão, visualizei algo como o Coringa invadindo a Batcaverna para roubar os brinquedos que ele tanto inveja. O mal-feitor, de fato, confirma minha suspeita e furta alguns cristais do local. Mas para quais objetivos profanos eles poderiam servir?
Quem dá a resposta para essa pergunta é o próprio Lex Luthor, que ao seguir um velho costume da vilania, revela seu plano estapafúrdio da forma mais didática possível – com slides e tudo a mais. Resumindo, a idéia dele é transformar os cristais mágicos em um novo continente, riscando a América do Norte do mapa, para enriquecer alugando terra aos desabrigados.
A primeira coisa que me passou pela cabeça foi HEIN?!?!?!?! Passado o susto, comecei a divagar. Afinal, como diabos Lex faria para transformar aquela rocha inóspita num complexo imobiliário decente? Planejamento a longo prazo, cálculo da mão de obra, projeção de custos, enfim... Seria um trabalhão danado. Vindo de outro empresário, eu desconfiaria da viabilidade do negócio. Agora, tratando-se de Lex Luthor, representante mor do capitalismo selvagem, tudo é possível. E ele até teria conseguido, não fosse um pequeno contratempo...
Um pássaro? Um avião? Não, o Super Homem!
Depois de levar uns pontapés, o alter-ego de Clark Kent resolve acerta as contas e manda a empreitada do arquiinimigo literalmente pro espaço. A imagem é antológica. Afinal, não é todo dia que se vê um empreendimento desse porte ser destruído assim, sem mais nem menos.
Talvez por isso, creio eu, os roteiristas do filme tenham substituído a frase Truth, Justice and the American way por Truth, Justice and … all that stuff.
Faz sentido.
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