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Uma resenha do livro O Retorno do Rei
Por Alfredo Stadtherr — Segunda, 22 de dezembro de 2003
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Depois de fazer uma viagem pela Terra-Média e de apresentar aos leitores os principais povos da região, só restava a J.R.R. Tolkien terminar a saga, situando a história nos dois grandes domínios do continente mítico, que serão o palco da maior batalha já vista naquela era. Em O Retorno do Rei, os líderes dos homens se unem em Gondor para livrar de vez seus reinos da sombra de Mordor, terra do vilão Sauron.
A missão de derrubar o mal não será composta apenas de grandiosas batalhas. Enquanto Aragorn e o Rei Théoden tentam desesperadamente proteger Gondor da invasão de milhares de orcs, Frodo Bolseiro, o pequeno hobbit, penetra nos domínios do inimigo apenas com a ajuda de seu fiel escudeiro Sam Gamgi para, assim, destruir o Um Anel, artefato mágico que é a fonte do poder de Sauron.
Ao contrário dos volumes anteriores, onde havia muito mais descontração por parte dos personagens, em O Retorno do Rei o clima é tenso desde o início. Os hobbits deixam de lado o ar pueril e demonstram sinais de amadurecimento, depois de passarem por tantas provações. Frodo está no seu limite e só consegue manter um mínimo de disposição para chegar ao fim de sua jornada graças ao incansável Sam, que encoraja e incentiva o herói.
Minas Tirith, a última resistência humana contra Sauron, é governada por Denethor, pai de Boromir e Faramir. Assim como Théoden, o regente de Gondor é um homem enfraquecido pela influência maléfica de Sauron. Mas, diferente do rei de Rohan, Denethor está à beira da loucura por agüentar durante tantos anos seguidos ataques contra seu reino e também por saber que o real herdeiro do trono, Aragorn, está para chegar.
A história de O Retorno do Rei é dividida em duas partes. Na primeira, acompanhamos a ação em Rohan e Gondor, com a épica batalha nos campos de Pelennor. Frodo, Sam e Gollum são deixados para a parte final. Entretanto, ao contrário de As Duas Torres, a segunda metade não é só deles. A partir de um certo momento, as tramas se cruzam para conduzir ao grandioso final da saga.
A conclusão, aliás, ocupa boa parte da história. Após o término da Guerra do Anel, Tolkien cria uma trama paralela que não é totalmente necessária, mas ajuda a explicar o que aconteceu com personagens importantes que tinham sido deixados de lado no segundo livro. São vários finais para a saga, fazendo com que o leitor se despeça aos poucos de seus queridos heróis.
Como muitas lacunas foram deixadas em branco no decorrer de O Senhor dos Anéis, o autor sentiu a necessidade de gastar algumas páginas com um breve resumo do que ficou de fora. Assim, logo após o fim da história, o leitor encontra um extenso apêndice, repleto de informações complementares à saga.
Em O Retorno do Rei é que realmente vemos o valor individual de cada personagem, pois, nos momentos finais, todos precisam dar tudo de si para que o mal seja derrotado. A sucessão de diálogos belíssimos e seqüências antológicas faz deste o melhor livro da trilogia. É uma conclusão magistral para a maior saga épica criada no século XX.
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