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Clássico
Por Maria Luiza Porto — Quinta, 13 de julho de 2006
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Assistir a um filme de Almodóvar na Espanha é como tomar champagne em Paris ou comer acarajé na Bahia: um autêntico clássico. A sua nova película - Volver – foi lançada em março deste ano, com onipresença em praticamente todos os circuitos de cinema espanhóis. E apesar de só estrear por aqui em novembro, já está fazendo uma promissora carreira internacional.
Em maio, levou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes e, na semana passada, o Globo de Ouro de melhor filme europeu da Associação da Imprensa Estrangeira na Itália. Até aí, nenhuma surpresa. O diretor sempre figura dentre os vencedores de premiações européias. É como Spilbergh nos Estados Unidos: difícil sair de mãos abanando. Mas, deixando as alfinetadas de lado, Almodóvar faz jus a todos os seus méritos.
O filme traz o regresso da antiga parceria de Pedro com Carmen Maura. A consagrada atriz espanhola já havia estrelado em três de suas produções: Matador, Lei do Desejo e Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. Outra atriz que “volta” a trabalhar com o diretor é Penélope Cruz, de Tudo Sobre Minha Mãe, o que nos faz pensar que o título do filme pode sugestionar vários significados.
Em muitas de suas declarações à imprensa, Almodóvar conta que Volver é genuinamente um retorno: às suas raízes, à sua infância em La Mancha (aonde o filme é rodado) e, além de tudo, às recordações de sua mãe.
Entrando na sinopse superficialmente, temos três mulheres: Raimunda, sua filha (Paula) e sua irmã (Sole). Elas voltam à terra natal para visitar uma tia doente e estranham o fato de que, apesar de debilitada e quase cega, a velha senhora parece estar se virando muito bem com os afazeres domésticos. Quando todas retornam às suas atuais residências, a trama se foca em Raimunda (Penélope Cruz) e seu complicado núcleo familiar: um marido bronco que assedia sexualmente sua filha. Ate aí, podemos nos equivocar acerca da personagem principal, pois Raimunda atua no centro da estória, alavancando os demais personagens e conduzindo o emaranhado de tramas que abriga o roteiro.
O começo do filme se dá quase em tom de ficção policial, com direito a crime, assassinato, defunto e tramóias. E no desenrolar, tudo isso sucumbe a uma nova plot - tão intrigante e complexa quanto à inicial - protagonizada por Irene (Carmen Maura), no papel de uma mãe-assombração que volta para um acerto de pendências. Parece um pouco confuso, e é na verdade. No entanto, entrar em detalhes só estragaria os surpreendentes caminhos pelos quais Almodóvar nos conduz. Lembra muito a estrutura de Má Educação, aonde novos fatos dão vazão a novas descobertas e acontecimentos.
Mas se eu - que assisti no original sem legenda - consegui entender tudo no fim das contas, o público brasileiro não terá grandes problemas tendo a narração traduzida. Afinal, é marca registrada do diretor fazer com que a platéia absorva seus filmes pelo inverso da razão.
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