O Jazz, que no início se soletrava jass é, sem sombra de dúvida, o estilo musical que mais acompanhou as grandes evoluções e transformações culturais do século XX nos Estados Unidos e em boa parte do mundo ocidental.
Origem

Nascido na virado dos anos 1900, o Jazz resulta, basicamente, do encontro da música de origem africana, trazida pelos escravos, com a tradição musical européia, também transplantada para o Novo Mundo. Trata-se de uma música resultante do encontro de duas vertentes musicais que migraram por contingências históricas, ou seja, sofreram uma miscigenação.
Em suas primeiras formações, as bandas que no futuro originariam os grupos de Jazz pautavam-se pela improvisação. O líder da banda pegava “de ouvido” temas de música erudita européia, marchas, canções populares, entre outras. Dái solava improvisadamente, e os outros componentes da orquestra tentavam acompanhar, também de improviso, e cada qual à sua maneira. Esse espírito de improvisação coletiva marcaria para sempre a essência do jazz, assim como a tendência dessa música a incorporar outros ritmos.
Assim improviso é marca registrada dessa música, desde a origem. Como os negros eram em sua imensa maioria analfabetos e ocupavam as funções menos prestigiadas na sociedade norte-americana, não tinham, portanto, acesso a uma formação musical formal e sistemática. Assim, por não saberem ler partitura musical, habilidade que só a elite branca tinha acesso, apelavam para o improviso.
Evolução

Antes do jazz, a música para dançar era de origem européia, bastante formal e com regras claras para o contato entre os pares. A chegada do novo estilo, que trazia o caráter lascivo das danças coladas de cabaré, causou grande furor na imprensa conservadora e escandalizou os membros da sociedade americana que já contavam mais de 30 anos. Por outro lado, foi justamente esse um dos motivos que fez o jazz, desde que executado por músicos brancos, agradar em cheio à juventude enriquecida e emancipada que surgira no período posterior à Primeira Guerra Mundial.
Essa geração que saía da infância no final da segunda década do século XX, ficou conhecida como a juventude flamejante, a
flaming youth, que estabeleceria um novo papel para o jovem dentro da sociedade de massas que se formava.
Um clima de euforia social e econômica nunca vistos até então se formou. Havia crescimento dos negócios, o avanço da indústria automobilística e, principalmente, a explosão da indústria cultural e da publicidade, criaram. Investidores faziam fortunas diariamente na bolsa de valores, a idéia de que a vida devia ser aproveitada ao máximo em festas e diversão ganhava progressivo espaço, revolucionando o tradicional espírito de parcimônia protestante da cultura americana.
F.Scott Fitzgerald sintetizou em seu livro
O Grande Gatsby todo esse período histórico. Em sua obra ele aborda o esplendor e o vazio dessa época de festas e bebedeiras, de fortunas erguidas do nada, o delírio coletivo de que o dinheiro não teria fim, delírio que seria brutalmente encerrado pelo quebra da bolsa em 1929.
Várias escolas e estilos jazzísticos se sucederam ao longo do tempo, enriquecendo o estilo e adaptando-o aos diferentes contextos históricos: seguiram-se a sistematização e a organização impostas primeiramente pelas bandas que se iam formando nos diversos centros urbanos dos Estados Unidos e, depois, pelas
Big Bands da era do
Swing, na década de 1930. O jazz ganha, assim, uma identidade que o vai firmar como um estilo musical autônomo. Assim
Bebop. Ele representava uma tentativa de libertar o jazzista das amarras impostas pela música padronizada do swing.
O jazz voltava a ser a música que tocava nos cabarés, nos bordéis e nos inferninhos – lugares que o homem comum sempre freqüentou. Os monstros sagrados do jazz tocavam em bares, casas de shows e cabarés populares.
Com o Bebop, o jazz retoma as suas raízes improvisatórias, já que a era do swing havia transformado o jazz numa grande linha de montagem musical. À música estandardizada característica da era do swing, os
Boppers contrapuseram uma música essencialmente dissonante, tortuosa, em que a norma era justamente a subversão da previsibilidade melódica. O bebop representou, assim, a revolução do jazz moderno.
Bebop, Hard Bop e Coll Jazz

Inovador para a época em que foi criado, o final da Segunda Guerra, o Bebop causou grande polêmica entre o público, principalmente entre as grandes platéias, acostumadas ao ritmo contagiante e aos belos arranjos dos grupos de swing. Essa nova música era agitada, difícil de ser ouvida pelas transgressões harmônicas e mais: não era feita para dançar. Ocorria então uma mudança fundamental no status artístico do Jazz: é música para ser ouvida e refletida, aproximando-o assim do respeito intelectual tradicionalmente devotado à música clássica de origem européia.
Por volta de 1945, não se poderia imaginar menos um estilo convencional e comercial do swing do que o Bebop. O nome vem das onomatopéias pronunciadas pelos músicos imitando o fraseado frenético dos seus instrumentos. O estilo privilegia os pequenos conjuntos e os solistas de grande virtuosismo. O Bebop era uma música feita para ouvir e não para dançar, tocada por um pequeno número de músicos talentosos.
Talvez o elemento que sofreu a maior modificação dentro dessa revolução musical, tenha sido o ritmo e de figuras rítmicas complexas. O som é flexível, nervoso, anguloso, cheio de saltos que exigem uma técnica instrumental muito desenvolvida.
Os primeiros músicos do Jazz moderno foram o saxofonista
Charlie Parker, o trompetista
Dizzy Gillespie e o pianista
Thelonious Monk. Em meados da década de quarenta, eles influenciaram uma legião de criativos músicos, como o trompetista
Miles Davis, o pianista
Bud Powel e as bandas de
Billy Eckstine, Claude Tornhill e
Wood Herman.
Com certeza, o Bebop sobreviveu à década de 40. Alguns de seus praticantes acabaram se envolvendo com o
Cool Jazz e o
Hard Bop nos anos 50; outros, devido à epidemia de heroína, não duraram muito. Alguns poucos tiveram longas carreiras, prolongando a vida do bop, se unindo a jovens instrumentistas como. Ironicamente, por volta de 1960, quando o
Free Jazz estava começando a se tornar notícia, o Bebop foi considerado conservador e tradicional.
Para aqueles que curtem um filme e se interessaram por esse estilo musical, segue uma lista de filmes onde tema principal é Jazz. Assista e curta.
-Uma cabine no céu (Cabin in the Sky - 1943. Dir. Vincente Minnelli. Estrelando Eddie "Rochester" Anderson, Lena Horne, Ethel Waters, Louis Armstrong, Duke Ellington e sua orquestra.
-A Rainha dos Corações (Best Foot Forward - 1943). Dir. Edward Buzzell. Estrelando Lucille Ball, William Gazton, Virginia Weidler, Tommy Dix, Nancy Walker
-Êxito fugaz (Young Man with a Horn - 1950). Dir. Michael Curtiz. Estrelando Kirk Douglas, Lauren Bacall, Doris Day, Hoagy Carmichael.
-Música e Lágrimas (The Glenn Miller Story - 1954). Dir. Anthony Mann. Estrelando Jimmy Stewart, June Allison, Charle Drake, Louis Armstrong, Gene Krupa
-O Homem do Braço de Ouro (The Man with the Golden Arm, 1956). Dir. Otto Preminger. Stars Frank Sinatra, Eleanor Parker, Kim Novak
-Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder - 1959). Dir. Otto Preminger. Estrelando James Stewart, Lee Remick, Ben Gazzara, Arthur O'Connell, George C. Scott
-Por Volta da Meia-Noite (Round Midnight - 1986). Dir. Bertrand Tavernier. Estrelando Dexter Gordon, Franqois Chizet, Gabrielle Haker, Herbie Hancock.
-Bird (Bird - 1988). Dir. Clint Eastwood. Estrelando Forest Whitaker, Diane Venora, Michael Zelniker
-Tune In Tomorrow (Tune in Tomorrow - 1990). Dir. Jon Amiel. Estrelando Barbara Hershey, Keanu Reeves, Peter Falk. Vale a pena dizer que o filme é a adaptação do livro Tia Julia e o Escrevinhador, de Mario Vargas Llosa
-Kansas City (Kansas City – 1996) Dir. Robert Altman. Estrelando Jennifer Jason Leigh, Miranda Richardson, Harry Belafonte. E os atores Nicholas Payton, Joshua Redman, Mark Whitfield, Christian McBride, Cyrus Chestnut and Ron Carter