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Uma resenha do livro As Duas Torres
Por Tiago Cordeiro — Sábado, 20 de dezembro de 2003
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Tendo a responsabilidade de suceder o ótimo Sociedade do Anel, o livro O Senhor dos Anéis – As Duas Torres é a história intermediária entre o início e o fim da saga de O Senhor dos Anéis. O difícil fardo de conectar os dois fantásticos livros talvez seja a grande explicação para o fato de este ser o terceiro da trilogia em termos de qualidade.
Não que a segunda parte da saga de Frodo e seus companheiros seja um livro ruim. De fato, a divisão do mesmo em duas partes, uma com Aragorn, Gimli e Legolas atrás de Merry e Pippin, capturados ao fim do primeiro livro, e outra com Sam e Frodo caminhando até Mordor para destruir o Um Anel, deixa o leitor preso demais a um grupo, enquanto não faz idéia do que ocorre com o outro. Mas não seria este o objetivo do livro, fazer o leitor se sentir exatamente como os dois grupos que não sabem o que ocorre com seus amigos?
Tudo isso torna As Duas Torres o mais denso e difícil de ser lido dos três livros. A trama em torno dos planos de Sauron é construída de forma lenta e que demorará para atingir um ponto em que o leitor perceba a conclusão se aproximando (até porque apenas no terceiro livro isso se tornará nítido). É aqui que Merry e Pippin deixarão de ser apenas dois hobbits coadjuvantes para terem maior importância na trama, deixando de ser apenas os mais frágeis para serem protagonistas, elementos essenciais para que o bem consiga vencer o mal, para que a escuridão de Mordor não se alastre pelo mundo. Talvez por isso os quatro diminutos seres tenham vindo do simples condado: a saga de Tolkien se descreve exatamente como um resgate de pureza e simplicidades que parecem não apenas distantes, mas perdidas em nossa época.
O personagem de maior destaque é o que finalmente surge. Gollum, ou Smeagol, passa a atuar diretamente com Frodo e Sam. A agressividade com que Sam trata aquele que possuía o Um Anel não é decorrente de uma simples precaução. Smeagol era quem Sam seria, caso sua lealdade a Frodo não fosse tão grande. Está ali um certo medo pelo seu próprio reflexo, embora seja um reflexo distorcido.
O clima de romance entre Aragorn e Éowin também abriga seu próprio significado, posto que Aragorn não é apenas um príncipe que carrega o fardo de recuperar seu trono, mas também o de ser um mortal que se casará com uma elfa. Será dele a escolha entre se dividir por outro mundo ou ficar apenas entre os seus. O desfecho óbvio não impede a tensão dessa escolha, uma vez que ela significará dividir sua vida com alguém que ele terá que abandonar, já que vive muito menos do que os elfos.
Por fim, As Duas Torres, como já dissemos, fala não apenas de dois grupos envolvidos com as torres de Isengard e Mordor, mas também em duas aventuras diferentes, sejam em ritmo, importância ou estilo. Enquanto Aragorn e seus aliados enfrentam verdadeiras batalhas épicas, Frodo, Sam e Gollum passam por uma batalha de nervos. A tensão entre os dois hobbits e seu guia só é superada pelo temor do leitor em relação aos dois. Interessante perceber que, tanto no início quanto no fim do livro, a impressão que temos é de que tudo parece estar indo mal. Especialmente no último capítulo, quando a aventura parece ter chegado realmente ao fim. Ao triste e desesperador fim.
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