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Uma resenha do livro A Sociedade do Anel
Por Tiago Cordeiro — Sábado, 20 de dezembro de 2003
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“As aventuras nunca acabam? Acho que não. Outra pessoa sempre tem de continuar a história. Bem, isso não pode ser evitado. Penso se adianta alguma coisa eu tentar terminar meu livro. Mas não vamos nos preocupar com isso agora...”
O que você pensaria se afirmasse que a frase acima se refere a um escritor cuja famosa trilogia de livros soma mais do que mil páginas? Provavelmente que o mesmo já estaria exausto de escrever seu livro, não? Entretanto, essa afirmação não é verdadeira, ao menos, não completamente. A declaração acima é feita pelo personagem Bilbo a Frodo, no livro O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel, primeira parte da saga de O Senhor dos Anéis, no capítulo “Muitos encontros”, do escritor John Ronald Reuel Tolkien.
Seria difícil descrever em poucas palavras, ou mesmo em uma crítica, a importância do que talvez foi o mais importante passo para o universo da ficção-fantasia. Entretanto, posso afirmar que a saga de Frodo e seus amigos foi, talvez, o maior expoente do gênero e o que, indubitavelmente, impulsionou o role playing game, ou jogo da representação ou, como é mais comumente chamado, o RPG. Sendo assim, Tolkien se tornou o principal responsável pelo surgimento de um dos jogos mais influentes do último século, que foi além da ambientação em que se originou.
Em Sociedade do Anel, o leitor encontrará (assim como em O Hobbit) um herói diferente do que até então havia. Frodo não tem experiência em batalha e nem se destaca pela coragem instantânea. O importante daquele Hobbit é sua percepção no que está errado e em que deve assumir sua responsabilidade perante o mesmo. No fim das contas, do que mais um herói é feito?
Como em todos os livros, Frodo é o protagonista acompanhado pelo que talvez sejam os mais fortes coadjuvantes do gênero: Aragorn, o príncipe que carrega os pecados de seu antepassado, Legolas (um elfo) e Gimli (um anão), completamente diferentes, mas amigos; Gandalf, o sábio, e os hobbits, fracos e pouco preparados para a batalha, mas que se destacam por sua coragem. Os pequeninos são, talvez, os mais importantes personagens da trama, mesmo sendo os mais frágeis.
Talvez o maior mérito de Sociedade do Anel seja justamente a apresentação desses personagens e a tensão que a missão provocará neles, culminando com a profunda tristeza pela morte de Gandalf (que na verdade não morre) e Boromir. A narrativa tolkieana permanece atraente e nostálgica, já que se refere a um tempo distante, onde os valores eram muito mais claros do que neste momento. Apenas nesse universo personagens não mentem e enfrentam suas responsabilidades mesmo quando as temendo.
Destaco a leitura do conflito entre Gandalf e o Balrog. O desfecho é indispensável para que Gandalf assuma o lugar de Saruman como mago branco. A descida ao inferno é o que faz o ex-cinzento estar preparado para o resto da saga.
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