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O Retorno do Rei: Nós vimos II
Por Tiago Cordeiro — Sábado, 20 de dezembro de 2003
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Quando tudo acaba (muito) bem no final
Se você não for daqueles que acreditam que adaptações cinematográficas devem se ater a cada vírgula de sua fonte, será impossível você não gostar do melhor filme do ano: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Retomando a história com uma rápida explicação sobre como Smeagol se torna Gollum (Andy Serkis), a terceira parte da saga de Frodo e seus companheiros conta os momentos finais da jornada de Frodo a Mordor com o objetivo de destruir o Um Anel e a luta dos remanescentes da Sociedade do Anel para impedir que Sauron e seus asseclas dominem a Terra-Média.
Para todos aqueles que temiam um deslize de Peter Jackson que comprometesse os livros de Tolkien: podem se tranqüilizar. O diretor realmente merece todas as reverências que a academia puder lhe conceder (incluindo o Oscar de melhor filme que jamais contemplou filmes do gênero). Cenas longas com cenários muito bem filmados, batalhas épicas de tirar o fôlego e um roteiro muito bem finalizado (cujos equívocos se apagam perante a qualidade do filme). Os efeitos especiais existem, mas não são gratuitos e tampouco previsíveis ou nítidos. Cabe aqui um aviso aos de coração mais sensível: se você achou incrível Legolas atirar flechas deslizando pela escada usando um escudo ou montando um cavalo com um salto acrobático, prepare-se! O elfo vai deixar você muito, mas muito mais impressionado.
Obviamente, a razão do sucesso não se resume ao diretor. Quase todos os atores estão perfeitos em seu papel. E se Cristopher Lee não faz falta como Saruman, Ian McKellen é Gandalf até a ponta de seus cabelos brancos! Consegue ser evidente sem ser óbvio, gracioso, sem ser caricato e triste sem ser melodramático. Poucas vezes, um filme ambientado em um cenário de fantasia contou com um ator tão expressivo e competente (talvez somente Alec Guiness como Obi Wan Kenobi em Guerra nas Estrelas: Uma Nova Esperança). Sean Astin como Sam, Orlando Bloom como Legolas e Viggo Mortensen como Aragorn também se destacam e, após dois filmes em que não tiveram muito espaço, Billy Boyd e Dominic Monaghan (Pippin e Merry) finalmente dizem a que vieram. Talvez o único que esteja um pouco abaixo do nível dos demais é Elijah Wood (Frodo), embora isso não comprometa em momento algum o andamento do filme.
Sem ser incoerente com o resto da trilogia, O Retorno do Rei continua a ser uma história da luta entre o bem e o mal, luz e trevas. Contudo, não pensem que termina nisso. É também a respeito de valores como lealdade, amor e amizade. Tolkien jamais caiu na pieguice e Jackson também não cai. Com imagens e enredos capazes de fazer o mais sisudo dos espectadores se emocionar, O Retorno do Rei encerra de forma brilhante uma das trilogias cinematográficas mais atraentes deste século.
Sendo assim, a única coisa ruim que o fim da trilogia traz é seu fim. A sensação de que não veremos nada novo de tão impressionante narrativa (exceto se, talvez, os boatos de que Jackson produziria um filme contando a história de O Hobbit, livro que precedeu a trilogia de Senhor dos Anéis, se confirmarem) deixa uma certa melancolia no ar, o que prova que estamos diante de um dos melhores filmes dos últimos tempos. Enfim, essa tristeza se justifica pelo fim, pois essa parte da história não se refere apenas a batalhas e lutas. O Retorno do Rei é o capítulo final e tudo o que é derradeiro envolve não apenas conclusões, mas despedidas. Mesmo que seja em grande estilo.

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