Mas... é só isso o novo filme do Superman??!!

De todos os super-heróis dos quadrinhos, o Super Homem sempre foi o mais heróico, imbatível e invencível de todos - e, exatamente por isso, o que melhor representa a condição de
Super expressa em seu nome de guerra: ao contrário, para mencionar dois exemplos, dos X-Men, com todas as discriminações que sofrem e suas angústias internas, ou do Homem-Aranha, cuja identidade secreta, Peter Parker, jamais conseguiu apagar as perdas que acumulou durante a vida (a morte do tio que o criou, o desamor de Mary Jane, a pouca popularidade com os colegas, entre outras), ou, para citar um terceiro exemplo, do Batman, que antes de ser um herói é acima de tudo um homem comum com habilidades ímpares (e uma insaciável sede de justiça), o Super-Homem é o super-herói por excelência: ele voa, tem super-visão, super-audição, nada pode feri-lo (exceto a Kriptonita) e, para completar, teve uma infância feliz com os Kent, é bem-sucedido profissionalmente, é bonito e querido por todos. Mais super, impossível.
E essa (com o perdão do trocadilho)
super-ioridade é uma faca de dois gumes. O grande problema é que, nos tempos atuais, fica difícil engolir um herói tão perfeito. Fica, na verdade, difícil até mesmo gostar dele,

porque ninguém, absolutamente ninguém, tem uma vida tão perfeita que consiga olhar para o Super-Homem e se identificar com ele: o Homem de Aço não traz, em si, os sofrimentos do Wolverine, as tristezas do Batman, as perdas existenciais do Homem-Aranha. Hoje em dia, até mesmo o seu uniforme azul fica artificial.
Ridículo, até.
Assistindo-se a
Superman - O Retorno, o esperado filme de
Bryan Singer que retoma opersonagem que o saudoso
Christopher Reeve imortalizou (e a quem o filme é dedicado, a ele e a sua esposa
Dana Reeve), esse artificialismo, acima de tudo, é o que mais chama a atenção. Pode-se, claro, apontar uma série de defeitos que o filme têm - e não são poucos. A começar pela aguardada estréia de
Brandon Routh como protagonista e super-star: ele é um ator muito ruim. E
Kate Bosworth, a Lois Lane, é igualmente péssima - para completar, além de maus atores, eles não têm carisma algum.
O festival de equívocos passa também pela péssima condução do roteiro, que explica mau a trama apresentada - no filme, o Homem de Aço havia sumido da Terra e tentado retornar a Kripton, seu planeta natal, sabe-se lá por quanto tempo - mas o suficiente para Lois haver casado e ter um filho de cerca de seis anos, embora, ao retomar, Clark Kent tenha recuperado o seu emprego no Planeta Diário nas mesmas condições de antes, como se tivesse se ausentado poucos dias, ou, vá lá, alguns meses. Não há nenhuma informação sobre como se deu essa viagem ou o porquê dela; mas, com isso, o retorno do título deixa de ser apenas a volta do clássico personagem às telas para configurar o retorno de Clark Kent a Metrópolis - e esse retorno, e a ida que o precedeu, estão muito mal-explicados.
Defeitos sérios de roteiro, escalação de elenco e interpretação já seriam motivo suficiente para tornar
Superman - O Retorno a grande decepção do ano. Mas é preciso voltar ao que foi dito no início e repetir: o Super-Homem, tão invencível e perfeito, não convence mais ninguém. Embora, talvez, ele não seja tão perfeito assim: sua super-audição o permite ouvir todos os sons emitidos na Terra. Mas, em pelo menos uma cena, ele prefere ouvir conversas particulares entre Lois e o marido. Claro, os roteiristas sempre podem dar a entender que, naquele momento, nenhum (outro) crime estava sendo cometido na Terra. Uma desculpa perfeita para quem acredita em Papai Noel.
Ou no Superman.