Carros, metáforas e dignidade
Carros, quinta e última produção da Pixar com os estúdios Disney, é mais uma bela história amparada com a criativa animação do estúdio.
A película tem o brilho do polimento dos automóveis nas adaptações do mundo humano para uma realidade em que os automóveis vivem. A riqueza de detalhes é imensa, a começar pela vista dos cânions, em que as formações rochosas têm formato de capôs, paralamas, válvulas de pressão, surdinas ou o ícone “rabo de peixe”.
O argumento é conhecido: um ás em uma atividade (no caso, o automobilismo) resolve descartar seus apoiadores ajudantes, por achar que é auto suficiente. Numa alteração de destino, se perde num vilarejo e ali terá uma (r)evolução de atitude.
Quem recorda das animações Hanna e Barbera, vai lembrar bastante de personagens veículos.
A história com muita velocidade proporciona uma boa adrenalina no começo e a trilha dá arrancada condizente com os vários avanços da trama.

A imaginação dos realizadores é cativante: tratores são um rebanho comandado pelo capataz colheitadeira, cones de sinalização – em tamanho grande – são aposentos de um motel, latas de óleo servem para o óbvio, matar a sede dos automotores, assim como a representação de idade e personalidades são caracterizadas pelos modelos de autos antigos e ou novos, pelo cuidado com a manutenção de suas latarias, ou ainda pela categoria do veiculo: a “tribo” à qual pertence revela sua “classe”.
A questão sugerida é: por que com vias rápidas, que são feitas para encurtar o tempo, não são aproveitadas para o contemplamento da vida no tempo que fica sobrando?
Ao final, durante os créditos (que tem muitas homenagens), mais motivo de riso: vemos mais cenas do filme, em que os personagens assistem num cinema ao ar livre histórias das animações anteriores da Pixar, mas interpretadas por carros. E é importante ressaltar: tem piada após todos os créditos!
Enfim, última produção em conjunto dos dois estúdios terminada com muita dignidade e apresenta o amadurecimento das duas décadas que a Pixar completa.