AVISO: respire fundo, a sessão já vai começar!
"O filme está terminando". Esse foi o único pensamento que eu consegui formular durante os minutos finais de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, conclusão da grandiosa adaptação da obra de J.R.R. Tolkien. Entretanto, não estava preocupado com as mais de três horas passadas em frente à tela, muito menos insatisfeito com o que tinha acabado de ver.

Era uma sensação de dever cumprido, para mim, como espectador, e para
Peter Jackson e sua equipe que, durante três anos, levaram milhões de pessoas aos cinemas e realizaram o que muitos consideravam impossível: adaptar a obra literária sem que ela perdesse a sua profundidade e o seu encanto.
Antes do início de todas as sessões de
O Retorno do Rei, deveria haver um aviso bem grande na tela: "respire bem fundo, tome o máximo de fôlego que você puder". Ao contrário dos episódios anteriores, onde havia sempre uma piadinha aqui e outra ali para aliviar a tensão, nesse filme a história não permite pausas.
Desde o início, onde é mostrada a origem do asqueroso
Gollum (Andy Serkis), o ritmo é acelerado, e o clima, tenso. Não há tempo para descanso, nem para o espectador, nem para os heróis, que precisam correr para impedir o massacre em Gondor, enquanto esperam que Frodo cumpra a sua jornada e destrua o Um Anel.

Tanto na literatura como no cinema,
O Retorno do Rei é uma sucessão interminável de seqüências épicas. Quando espera-se que a poeira vai baixar e os personagens terão alguns poucos momentos de descanso, alguma coisa acontece para perturbar o sossego. A trama vai crescendo e a tensão aumentando até chegar ao clímax, que é a monumental batalha nos Campos de Pelennor.
Desse ponto em diante, nada que tenha sido feito antes na trilogia se compara ao que Peter Jackson reservou para o final. Se o Abismo de Helm, em
As Duas Torres, foi um combate cruel entre o bem o mal, espere algo muito maior e, com certeza, muito mais violento. O diretor não poupa o público de cenas fortes, mas nada é gratuito. Apesar de ser uma batalha que envolve seres fantásticos em um mundo imaginário, consegue ser tão (ou até mais) verossímil quanto as sangrentas seqüências de
Coração Valente.
Com tantos personagens envolvidos, é claro que não foi possível fazer com que todos tivessem o destaque merecido.
Denethor (John Noble), o atormentado regente de Gondor, tem pouca participação, mas é algo que com certeza será remediado na versão estendida. Entretanto, há algumas participações que melhoraram bastante.
Sam Gamgi (Sean Astin), o fiel escudeiro de Frodo, está menos piegas e protagoniza uma das mais belas cenas da trilogia, quando ajuda seu mestre a suportar a dolorosa missão que lhe foi designada.
Em alguns momentos, o sentimentalismo exagerado faz com que a trama dê umas derrapadas, mas é um mero detalhe diante de um excepcional filme.
O Retorno do Rei é o amadurecimento das obras de fantasia e ficção no cinema e uma prova de que, com competência e dedicação, é possível transformar seres digitais em algo palpável. Boas histórias com certeza virão. Melhores que essa? Só o tempo dirá...