Naufrágio!

A recente estréia do remake de
A profecia permitiu que o público fizesse uma interessante análise de como um mesmo filme, ou ao menos uma mesma trama, pode sofrer variações, se duas versões forem realizadas sob a luz de diferentes décadas. E o resultado final foi bastante feliz - tanto pela qualidade do remake quanto pela reflexão entabulada.
Curiosamente,
Poseidon, remake do clássico de 1972
O destino do Poseidon, permite que o mesmo tipo de reflexão seja feita. É, contudo, a única semelhança entre as duas refilmagens: assistindo-se a essa realização dirigida por
Wolfgang Petersen, uma outra reflexão salta aos olhos: a constatação de como não apenas a falta de idéias, mas acima de tudo, a mediocridade e o desleixo, estão invadindo - e infestando - o cinema
blockbuster de Hollywood.
Refilmar clássicos do cinema não caracteriza, a princípio, falta de idéias, mesmo porque tais refilmagens sempre aconteceram, no decorrer da história do Cinema. Não é disso que se está acusando
Poseidon. Mas, observando-se esse presente remake de um clássico do cinema catástrofe, podemos reclamar, sim, de como o filme foi mal feito, de como os personagens

foram mal desenvolvidos, de como suas cenas de ação não têm capacidade alguma para segurar o espectador na poltrona.
Até há alguns anos atrás, podia-se falar tudo do cinema
blockbuster hollywoodiano, menos o de ser ruim tecnicamente. Ano passado, porém, o magnífico
King Kong de Peter Jackson já apresentava erros na criação dos efeitos especiais, principalmente na cena da perseguição - embora, exageradamente, esse maravilhoso filme tenha acabado por ganhar o Oscar da categoria.
King Kong tinha, e tem, o bônus de ser um ótimo filme. Mas
Poseidon não tem sequer esse perdão. E a verdadeira catástrofe do filme não se concentra em sua temática, mas principalmente na forma como foi realizado: a cena chave da película, na qual a onda gigante derruba o transatlântico, e aonde todos os compartimentos do navio são afetados, virando-o de cabeça para baixo e causando a catástrofe na acepção específica da palavra, é realizada com uma mediocridade que pode, sem nenhum tipo de exagero, fazer com que
Poseidon venha a ser considerado o filme com os piores efeitos especiais de toda a história do Cinema: o que se vê na tela nesse momento chega a ser ridículo, risível, lamentável, e acima de tudo um insulto aos espectadores, que devem ter sido considerados, pela equipe de realizadores, um bando de tolos, uma vez que os técnicos de efeitos especiais - e, por extensão, o próprio Petersen - acharam que engoliriam o péssimo trabalho que eles não souberam criar.
Como se não bastasse, o elenco ruim e sem carisma em nada auxilia a identificação do público com a trama: de todo o
casting, apenas
Kevin Dillon, como um jogador arrogante e covarde, e
Richard Dreyfuss, como um idoso homossexual e enrustido, conseguem desempenhos com alguma grandeza - e cabe a Dreyfuss a pior cena do filme, talvez até mesmo do ano: aquela em que, para salvar sua vida, seu personagem tem que derrubar outra pessoa em um poço (praticamente) sem fundo, jogando essa pessoa - que está gritando desesperada para não morrer - literalmente para a morte. Uma cena absolutamente gratuita, criada sabe-se lá com que intenção, e que serve apenas para passar o recibo de que a mediocridade de
Poseidon é total: tanto do ponto de vista técnico quanto do ponto de vista ideológico. Uma ofensa ao Cinema e aos espectadores. ¤
Outras críticas de Poseidon:
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Muito barulho por nada 