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Nós lemos: Preacher
Por Marcelo Tavela — Quarta, 7 de junho de 2006
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Preacher – A Caminho do Texas é a melhor coisa que Garth Ennis e Steve Dillon fizeram juntos – sempre com as lindas capas pintadas de Glenn Fabry. Talvez seja a melhor coisa que já fizeram. Se o nome de Ennis aparece em título de notícia aqui no SoBReCaRGa, a razão principal é Preacher. Mais de uma década após a publicação original – a primeira edição saiu nos Estados Unidos em 1995; a última, de número 66, é de 2000 – finalmente temos no país uma edição decente do início da saga de Jesse Custer. O encadernado da Devir compila as sete primeiras edições da série da Vertigo, com os dois primeiros arcos.
Mas, enfim, por que todo o foguetório acerca de Preacher? Pela complexidade e não-complexidade. A série mostra um pastor desencantado, Jesse Custer, que recebe em seu corpo uma entidade divina mega-poderosa filha de um anjo e um demônio, e resolve sair em busca de Deus – literalmente. Custer é acompanhado por sua (ex-)namorada Tulip, envolvida em um esquema criminoso, e pelo irlandês beberrão (quase um pleonasmo isso) Cassidy, na verdade um vampiro de 100 anos de idade – o ideal era manter esta informação sigilosa, mas, a esta altura do campeonato, todos já sabem do lado sobrenatural de Cass.
Como evidencia o subtítulo do álbum, Ennis usa seu olhar exterior para fazer de Preacher também uma análise sobre o Texas, e destrinchar alguns dos elementos que compõem a base cultural de um dos mais poderosos estados americanos. Seu personagem principal está em uma cruzada religiosa, procurando seu Deus do interior do Texas até Nova Iorque. Os personagens resolvem tudo pela lógica da bala, remetendo aos cowboys que fazem parte da mitologia do lugar. E Custer tem como mentor espiritual o maior de todos os vaqueiros.
Ou você pode simplesmente ler Preacher como uma história hilária com alguns dos personagens mais bizarros das HQs mundiais – o que é o Cara-de-Cu!? – recheada de situações escatológicas, surreais, inverossímeis e deliciosas, como o fim do Xerife Root ou a revelação do detetive Paul Bridges.
Simplicidade também é a tônica de Steve Dillon. Seu traço claro e rápido dá total conta do recado – tanto que não mudou nada dez anos depois, como pode ser visto nas minisséries que ele agora desenha para a Marvel.
O ideal é que Preacher seja lido com as várias interpretações costuradas, sempre almejando a máxima diversão descompromissada e sacana – o principal objetivo dos geniais Ennis e Dillon. Bela química.
Preacher – A Caminho do Texas tem formato 24x16,5 cm, 200 páginas em couché brilhoso, capa cartonada com reserva de verniz, introdução pelo escritor texano Joe R. Lansdale e custa R$ 45. A série completa terá nove volumes.
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