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Americanos decepcionam em Cannes
Por Lucas Gutiérrez — Sexta, 26 de maio de 2006
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Parece que esse ano não é o ano do cinemão hoolywoodiano se dar bem em Cannes. As principais produções americanas chegaram à Croisette com pompa e trazendo expectativa, mas a sensação é de decepção.
A primeira vítima foi o mega-esperado Código Da Vinci, produção dirigida por Ron Howard e estrelada por Tom Hanks, que adapta um dos maiores fenômenos literários dos últimos anos. Apesar de arrecadar mais de US$ 220 milhões mundialmente em seu primeiro fim de semana, O Código Da Vinci teve uma recepção mais do que fria em Cannes, onde foi exibido fora de competição e teve sua pré-estréia mundial, no dia 18. Na exibição para a imprensa, chegou a ser possível ouvir risos de deboche em relação ao filme, apontado depois como confuso.
A segunda produção cercada de expectativa a decepcionar os críticos foi X-Men: O Confronto Final, exibido fora de competição nesta semana. O filme foi apontado por muitos como mais superficial e fraco da trilogia inicial dos mutantes no cinema. Entretanto, os mesmos críticos que torceram o nariz para X3 fizeram questão de ressaltar a qualidade de Hugh Jackmann no papel de Wolverine, descrevendo a performance do australiano como uma das únicas coisas que salvam o filme.
Para coroar as decepções, o também esperado novo filme de Sophia Coppola, Marie Antoinette, uma versão com trilha sonora moderninha da biografia da rainha que perdeu a cabeça durante a Revolução Francesa, foi recebido com vaias ao ser mostrado no Palácio dos Festivais, dentro da competição. Criticada por ficar entre o meio termo entre a releitura pop e a produção de época, Sophia não ligou para as vaias e disse não se preocupar com as críticas, uma vez que adorou fazer o filme.
A atriz Kirsten Dunst, que interpreta o papel-título, seguiu o mesmo discurso da diretora, com quem já trabalhara em As Virgens Suicidas, e declarou que foi muito divertido fazer o filme.
Curiosamente, sobrou para um talento mexicano salvar a pátria americana. Babel, o novo trabalho de Alejandro González Iñárritu, consagrado por Amores Brutos, chamou a atenção dos críticos e passou a ser apontado como principal concorrente à Palma de Ouro ao lado de Volver, novo trabalho de Pedro Almodóvar.
Depois de arrancar elogios da crítica em sua estréia no cinema americano com 21 Gramas, Iñárritu escalou astros como Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael García Bernal para contar, como ele mesmo diz, uma história de conexão entre pais e filhos. Babel segue a mesma estrutura dos filmes anteriores do cineasta, mostrando histórias paralelas que se entrelaçam através de um acontecimento trágico.
Mais sorte aos americanos da próxima vez.
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