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A HQ pornográfica de Alan Moore
Por Marcelo Tavela — Sexta, 26 de maio de 2006
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Após dezesseis anos de desenvolvimento, o novo projeto de Alan Moore avança para um campo espinhoso: as HQs pornográficas. Ilustrado por Melinda Gebbie, The Lost Girls chegará às livrarias em agosto em uma luxuosa edição da Top Shelf, em três álbuns de 112 páginas em capa dura, encartados em uma caixa especial.
O duplo sentido do título remete a uma das fontes de inspiração de Moore: de Peter Pan vem Wendy, que se junta a Alice, de Alice no País das Maravilhas, e a Dorothy, de O Mágico de Oz, para formar o trio de garotas perdidas. Como nas obras originais, as três personagens convidam o leitor a entrar em um mundo novo. Só que agora de forma bem diferente das obras originais.
“Suspeitei que para a maioria de nós o mundo das primeiras relações sexuais é um mundo tão estranho e desorientador como o País das Maravilhas, Oz ou a Terra do Nunca”, comentou Moore ao Newsarama. As histórias começam na Europa do início da década de 1910 e, segundo o redator do site, há uma cena de sexo praticamente em todas as páginas.
O autor britânico é todo elogios para sua ilustradora. “Melinda é uma das poucas mulheres com quem trabalhei, e certamente é a única mulher com quem trabalharia em algo da estatura de The Lost Girls. A idéia só foi mesmo delineada a partir momento que nos conhecemos”, disse. Mesmo já conhecendo o trabalho de Melinda, a desenhista ganhou uma bela indicação: foi Neil Gaiman quem a apresentou a Moore.
The Lost Girls tem ganhado boas resenhas na crítica, mas sempre com ressalvas sobre os temas, que podem chocar os mais sensíveis. Como todas as obras de Moore, ele subverte a temática e leva o trabalho a outro espectro. “Poesia ruim é a coisa mais fácil de se fazer no mundo – talvez exceto por pornografia ruim. Fazer algo que valha a pena dá muito trabalho. Boa poesia é algo muito, muito difícil. Assim como boa pornografia".
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