Olá crianças,

Nesta sexta-feira, estréia o filme mais polêmico e aguardado de 2006. Do premiado diretor
Ron Howard (que nos trouxe ótimos filmes como
Uma Mente brilhante e
O Grinch) e adaptado do mega-hiper-ultra-
best-seller mundial,
O Código DaVinci invadirá os cinemas de todo o mundo como uma tsunami religiosa, causando mais estragos na Igreja Católica do que o PCC causou em São Paulo neste final de semana.
A história em si é apenas razoável: o filme conta as aventuras de Robert Langdon (vivido pelo eterno zé mané
Tom Hanks, desta vez com uma peruca ridícula), lutando contra o tempo para desvendar um assassinato misterioso cometido dentro das dependências do Louvre. Também participam do filme a gatinha
Andrei Tatou (
Amélie Poulain) como Sophie Neveau,
Jean Reno (você precisa de um francês no filme? Chame o Jean Reno) como o delegado de polícia Bezu Fache,
Ian McKeller (o eterno Gandalf) como sir Leigh Teabing,
Alfred "Dr Octopus" Molina como o Bispo Aringarosa e muitos outros bons nomes no elenco.
Mas a polêmica toda no livro (e agora no filme) não está em quem matou Jacques Saunière, mas sim a história na qual
Dan Brown se baseou para escrever a ambientação de seu conto. Uma conspiração de mais de 1.600 anos cujo objetivo é manter o poder de uma das maiores instituições religiosas de todos os tempos, responsável pela morte de mais de seis milhões de pessoas durante a Idade Média.
E qual o grande segredo? Que Jesus Cristo foi casado com Maria Madalena e que
Leonardo DaVinci era grão-mestre de uma ordem secreta chamada
Priorado do Sião e teria deixado várias mensagens codificadas em seus quadros para a posteridade.
Os fanáticos religiosos de plantão não perderam tempo e trataram de atacar o livro com toda a fúria de uma nova inquisição. Inventaram mil e uma peripécias para “justificar” que o que havia no livro não passava de uma história sem pé nem cabeça e que apenas o que está na bíblia está correto (assim como a Arca de Noé, a Torre de Babel e o Criacionismo).
Não sei por que a
Opus Dei ficou tão furiosa com o filme. O fato de Jesus ser casado com Maria Madalena já era de conhecimento do grande público há quase uma década. Desde antes do livro
Holy Blood, Holy Grail (escrito por jornalistas da BBC, tratando da linhagem sagrada na década de 80), esse assunto já era discutido entre historiadores e especialistas. Quem não se lembra do fuzuê que quiseram fazer quando foi exibido
A Última Tentação de Cristo no Brasil, com
Willem Dafoe (o Duende Verde) no papel de Jesus em 88?
Se a Opus Dei ficou tão brava assim por causa da revelação do casamento de Jesus e Maria, imagine a cara deles quando o grande público descobrir que Jesus nunca foi pobre, José não era marceneiro (ele era membro da Ordem dos Essênios, uma Ordem Secreta na qual um dos graus mais importantes era o grau de marceneiro), Maria não era virgem quando ele nasceu, os três reis magos eram realmente grandes feiticeiros, Jesus foi um alquimista e mago, Judas não traiu Jesus (ops... isso já foi revelado pela Discovery Channel), Jesus não morreu na cruz, o filho de Jesus com Maria Madalena foi levado por José de Arimatéia para Glastonbury (alguém ai já ouviu falar na lenda do Rei Arthur e do mago Merlin?), Maria Madalena fugiu grávida para o Egito e que, mais tarde, foi encontrar com Jesus no sul da França carregando uma criança de colo (chamada Sara Kali, a santa padroeira dos ciganos), sendo que essa imagem da virgem negra foi muito venerada pelos templários durante a Idade Média...
"- Virgem negra?" – interrompe a garotinha de olhos azuis na segunda fileira –
não existe uma igreja enorme aqui no Brasil dedicada à estátua de uma virgem negra?
Shhhhhh.... não espalha não... o pessoal acha que a estátua é de outra santa...
- E de onde você tirou tudo isso? Pergunta o gordinho sentado na primeira fila com olhos esbugalhados.
Ahhhh, criança índigo... se eu falasse você não acreditaria. Não se pode tapar o sol com a peneira para sempre. Vocês acham mesmo que o Dan Brown está sozinho nessa brincadeira?